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São João 2026: MP-BA, TCE e TCM assinam Nota Técnica para orientar gastos com contratações artísticas

Por Redação

São João 2026: MP-BA, TCE e TCM assinam Nota Técnica para orientar gastos com contratações artísticas

O Ministério Público da Bahia (MP-BA), o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) assinaram, nesta segunda-feira (2), uma Nota Técnica conjunta que estabelece diretrizes para as contratações de artistas nos festejos juninos de 2026.

 

O documento tem caráter orientativo e busca uniformizar procedimentos como pesquisa de preços, controle de despesas e planejamento por parte das prefeituras baianas, com base na Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações) e na Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

De acordo com a nota, a pesquisa de preços para os cachês deverá utilizar como referência a média dos valores pagos ao artista entre 1º de maio e 31 de julho de 2025, no próprio estado, com correção monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

 

A medida considera a sazonalidade típica do período junino e busca assegurar comparabilidade entre contratações em condições semelhantes de mercado. Caso não haja registros suficientes em 2025, a orientação é ampliar a pesquisa para os 12 meses anteriores, mediante justificativa técnica, com comprovação de compatibilidade dos preços por parte do contratado.

 

O procurador-geral de Justiça, Pedro Maia, afirmou que a iniciativa representa um esforço coletivo para fortalecer práticas preventivas na administração pública.

 

"Estamos construindo caminhos por meio do diálogo e da prevenção do ilícito, estabelecendo balizas norteadoras que respeitam a autonomia dos municípios, mas asseguram também responsabilidade fiscal e cuidado com o erário. Não se trata de impor valores, mas de criar parâmetros objetivos para que os festejos ocorram dentro das possibilidades financeiras de cada município", declarou.

 

A promotora de Justiça Rita Tourinho, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Proteção ao Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Caopam), explicou os critérios adotados.

 

"A sugestão é que se tome como parâmetro, para os valores pagos em 2026, aqueles praticados durante a festividade junina de 2025, no período de 1º de maio a 31 de julho, aplicando-se a correção pelo IPCA. Essa é a regra geral, porque se trata de contratação pública, sujeita à lei de licitações. Não foi estabelecido valor máximo, mas, sim, uma faixa de atenção especial para contratações acima dos valores que representaram 99% dos contratos no Estado. Nesses casos, exige-se uma justificativa técnica mais robusta e a demonstração da saúde financeira do município", destacou.

 

A análise dos contratos firmados em 2025 indicou que apenas 1% ultrapassou o valor de R$ 700 mil, o que fundamentou a definição da faixa de atenção especial. Contratações acima desse montante na Bahia passam a exigir critérios adicionais de controle, como justificativa detalhada do preço, comprovação da capacidade financeira do município, regularidade da folha de pagamento, inexistência de estado de calamidade pública e declaração de que não haverá suplementação orçamentária para a função cultura, salvo em situações de superávit comprovado.

 

O presidente do TCE, conselheiro Gildásio Penedo Filho, afirmou que as diretrizes foram construídas de forma colaborativa, respeitando as especificidades culturais e econômicas do período junino.

 

"Não há qualquer intenção de criar obstáculos à realização dos festejos. Reconhecemos a importância cultural, social e econômica dessas celebrações, especialmente no Nordeste. O que se busca é estabelecer balizas que assegurem equilíbrio, responsabilidade e planejamento, sem interferir na autonomia do mercado artístico nem dos gestores públicos", declarou.

 

Durante o evento, foi lançada uma cartilha informativa com as diretrizes, critérios de cálculo e fontes de consulta para pesquisa de preços, como o Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), os portais de transparência e o Painel Junino do Estado da Bahia. Rita Tourinho ressaltou que o material atende a uma demanda apresentada por prefeitos, por meio da União dos Municípios da Bahia (UPB), no sentido de estimular parâmetros objetivos para contenção de gastos, com preservação da autonomia municipal.

 

O presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso, também destacou a adesão dos gestores à iniciativa. "Há um compromisso coletivo dos prefeitos em seguir essas orientações, porque entendemos que a sociedade abraça esse trabalho. Essa parceria fortalece a gestão pública, valoriza a cultura local e contribui para a realização de festejos mais equilibrados, responsáveis e sustentáveis", afirmou.