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Padre na Paraíba firma acordo com MPF para evitar ação penal por declarações sobre Preta Gil

Por Redação

Padre na Paraíba firma acordo com MPF para evitar ação penal por declarações sobre Preta Gil
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O padre Danilo César, responsável pela paróquia de São José, em Areial, no Agreste da Paraíba, firmou um Termo de Não Persecução Penal com o Ministério Público Federal (MPF) após ser denunciado por intolerância religiosa. O caso se originou de declarações feitas durante uma missa transmitida online em julho de 2025, nas quais ele citou a cantora Preta Gil, falecida em decorrência de um câncer colorretal. O acordo foi homologado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage.

 

De acordo com o g1, o padre assinou um termo de confissão sobre a conduta de intolerância religiosa. O acordo estabelece que, se houver descumprimento das condições, essa confissão poderá ser utilizada como "valor de prova" em uma eventual reabertura da ação penal contra ele.

 

A Polícia Civil da Paraíba havia concluído o inquérito em novembro sem indiciá-lo, entendendo que a conduta não era tipificada pela lei. O caso também era acompanhado pelo Ministério Público Estadual (MP-PB), além do MPF.

 

Como requisito para a suspensão da persecução penal, o padre Danilo César se comprometeu a cumprir uma série de medidas. Entre elas estão a realização de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, a produção de resenhas manuscritas sobre obras que tratam do tema e o pagamento de uma prestação pecuniária no valor de R$ 4.863,00 para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).

 

O acordo também prevê a participação obrigatória do padre em um ato inter-religioso com a Igreja Católica e representantes de religiões de matrizes africanas, com convite estendido a integrantes da família de Preta Gil, em João Pessoa. Até o fim de junho, ele deve entregar as três resenhas manuscritas e comprovar pelo menos 20 horas dos cursos.

 

As declarações que motivaram o processo ocorreram em 27 de julho. Durante a homilia, transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia, o padre fez associações entre a fé da cantora e seu falecimento. Ele questionou: “Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”. Em outro trecho, referindo-se a práticas de matriz afro-indígena, afirmou: “E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse”.

 

Veja vídeo:

 

 

 

A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial, considerou as falas preconceituosas. O presidente da instituição, Rafael Generiano, registrou um boletim de ocorrência por intolerância religiosa na época.

 

Anteriormente, o artista Gilberto Gil, pai de Preta Gil, havia notificado extrajudicialmente a Diocese de Campina Grande e o padre, solicitando um retratação pública. Bela Gil, irmã da cantora, também se manifestou sobre o caso quando as declarações vieram a público.