Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Justiça
Você está em:
/
/
Justiça

Notícia

Tribunal Superior de Londres nega novo recurso da BHP sobre condenação pelo desastre de Mariana

Por Redação

Tribunal Superior de Londres nega novo recurso da BHP sobre condenação pelo desastre de Mariana
Foto: Divulgação / Bombeiros / MG

O Tribunal Superior de Londres negou o pedido da mineradora BHP para recorrer da decisão que a considerou "parcialmente culpada" pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015.

 

A corte britânica não viu possibilidade de sucesso no recurso, mantendo o caminho aberto para ações de indenização bilionárias movidas por mais de 600 mil afetados. A BHP, coproprietária da Samarco junto com a Vale, informou que apresentará recurso à Corte de Apelação.

 

Em sua decisão, a juíza Finola O'Farrell afirmou: "A apelação não tem nenhuma perspectiva real de sucesso. Não há outro motivo convincente para que a apelação seja apreciada. Embora a decisão possa ser de interesse para outras partes em outras jurisdições, trata-se de uma decisão sobre questões de direito brasileiro estabelecidas como fato nesta jurisdição".

 

De acordo com O Globo, a BHP reiterou sua posição de que "apresentará seu recurso contra o julgamento de responsabilidade à Corte de Apelação e, em paralelo, continuará com sua defesa nas fases remanescentes do processo inglês". A empresa também defendeu que o Brasil é "o local mais adequado para assegurar uma reparação justa e integral", citando que a corte britânica "reconheceu os programas indenizatórios implementados no Brasil e validou os acordos firmados desde 2015".

 

Os representantes das vítimas, do escritório Pogust Goodhead, classificaram a negativa como um "grande passo adiante". Jonathan Wheeler, sócio e líder do caso, declarou: "A decisão de hoje reforça a força e a robustez das conclusões do Tribunal Superior e aproxima centenas de milhares de autores da reparação pelo imenso dano que sofreram. O pedido da BHP por autorização para recorrer mostra que ela continua tratando este caso como algo a ser ‘administrado’, e não como um desastre humanitário e ambiental que exige um desfecho justo".

 

O processo, que corre no Reino Unido porque a BHP mantinha uma sede em Londres à época do desastre, já passou por fase de julgamento de responsabilidade entre outubro de 2024 e março de 2025. A etapa para definição dos valores de reparação está prevista para começar em outubro de 2026. As vítimas buscam cerca de 36 bilhões de libras (aproximadamente R$ 260 bilhões) em indenizações.

 

O rompimento da barragem em novembro de 2015 causou 19 mortes, despejou 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no Rio Doce e atingiu o oceano Atlântico, devastando comunidades e ecossistemas.

 

Enquanto o processo avança na Inglaterra, a Justiça brasileira absolveu as empresas envolvidas em novembro passado, e um acordo de R$ 132 bilhões foi firmado com autoridades brasileiras em outubro de 2024. Durante o julgamento em Londres, uma das vítimas, Pamela Rayane Fernandes, que perdeu a filha de cinco anos, afirmou: "No Brasil, não houve justiça".