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Presidente da OAB diz que golpistas, por ironia, agora são defendidos pelos direitos que atacaram

Por Cláudia Cardozo

Presidente da OAB diz que golpistas, por ironia, agora são defendidos pelos direitos que atacaram
Foto: YouTube/ TV Justiça

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti,  discursou a favor da democracia durante a abertura do Ano Judiciário, ocorrido nesta quarta-feira (1º). Simonetti, que representa mais de 1,3 milhão de advogados e advogadas no Brasil, afirmou que a entidade zela “pelas liberdades e garantias individuais, como a ampla defesa e o acesso à Justiça, que são primados do Estado Democrático de Direito”.

 

O presidente da Ordem afirmou que a defesa desses valores motiva a advocacia “a atuar contra os atos violentos e antidemocráticos que tentaram enfraquecer as instituições da República e a Constituição Federal”.


Ele reforçou que a “democracia persiste” e que, em momentos chaves, grandes nomes da advocacia e diligentes magistrados deste Tribunal desempenharam relevante papel de resistência. “Devemos as garantias de direitos individuais e coletivos, em boa parte, a essas pessoas, a essas instituições civis e ao STF. Devemos honrar esta Casa, senhoras e senhores, estando em alerta para que o STF possa seguir com sua missão de ser o guardião da Constituição Cidadã. A soberania do povo brasileiro, manifesta por meio do voto direto, secreto, universal e periódico, não pode ser relativizada, nem tampouco tutelada. Ela é inegociável”, declarou.

 

Ele asseverou que, por ironia, “é o Estado Democrático de Direito que, hoje, garante o direito de ampla defesa para aqueles que o repudiaram”. “Cumprindo sua missão constitucional, a OAB tem acompanhado o desenrolar dos processos, para cobrar a responsabilização dos culpados e também, sempre, o respeito ao devido processo legal, ao contraditório e às prerrogativas da advocacia. Sem essas garantias, o Estado de Direito não prevalece”, frisou.

 

Para ele, não importa quem é o denunciado ou qual é a acusação. “Todos são iguais perante a lei e devem ter acesso ao devido processo legal”, pontuou. Na sessão, ele leu um texto assinado pela OAB e mais de 300 entidades civis, como Fórum de Governadores, que, mesmo com visões diferentes e opiniões diversas, defendem o fortalecimento democrático.

 

No texto, é dito que as “liberdades de expressão e de crítica estão entre os valores mais caros ao Estado de Direito” e que “divergências ideológicas e de opinião são próprias da democracia e devem ter vez no debate público, mas não se confundem com os intoleráveis ataques violentos que põem em risco a própria democracia”. “Não há uma liberdade para cometer crimes e não é possível tolerar atos que atentem contra a democracia e a própria liberdade”. 

 

Simonetti diz que a abertura do Ano Judiciário cumpre com o papel histórico de reforçar a prevalência do Estado Democrático de Direito. “Aqui estamos, no Plenário do STF, reconstruído e persistente, assim como a democracia em nosso país”, asseverou.