Advogados pedem ao MPF para investigar ato nazista pós eleição
Por Redação
Quatro advogados pediram ao Ministério Público Federal (MPF) que investigue os manifestantes que teria realizado saudação nazista nesta quarta-feira (2), em São Miguel do Oeste, em Santa Catarina. O grupo estendeu o braço direito enquanto era tocado o hino nacional brasileiro.
A manifestação foi realizada em protesto após a derrota de Bolsonaro nas urnas no último domingo (30). A notícia-crime é assinada pelos advogados Mauro Menezes, Lênio Streck, Marcelo Cattoni e Ranieri Resente. Segundo o documento, a saudação nazista "constitui conduta indiscutivelmente delituosa, que merece ser apurada, com a identificação subjetiva dos autores dessa abjeta manifestação e o seu necessário enquadramento no tipo penal respectivo, como forma não apenas de sancionar adequadamente o ilícito penal, como também de conter a disseminação do ódio nazista como perigosa ferramenta de mobilização política golpista em nosso país”.
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) também investiga o grupo por apologia ao nazismo durante o ato e que já trabalha para identificar as pessoas."Uma vez identificadas, será produzido um relatório e as informações encaminhadas para a Promotoria de Justiça da Comarca, que possui atribuição criminal, para responsabilização dos envolvidos", esclareceu a coordenadora do Gaeco do município, a promotora de Justiça Marcela de Jesus Boldori Fernandes. O MP do Estado informou que o caso também está sendo acompanhado pelo Núcleo de Enfrentamento a Crimes Raciais e de Intolerância.
O vice-presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e ex-presidente da OAB/-SC, Rafael Horn,afirmou que "evocar o nazismo e todo mal que causou à humanidade é crime", que não se confunde com liberdade de expressão, merecendo rigorosa investigação. "Santa Catarina tem um povo alegre, ordeiro e trabalhador, que não se associa, mas sim repudia manifestações nazistas que merecerão ampla investigação por parte das autoridades competentes e punição aqueles que eventualmente reverenciaram um regime que causou tanto mal à humanidade."
