Conquista: Defensoria acompanha família de ciganos investigada por mortes de PMs
Uma família de ciganos está sendo acompanhada pela Defensoria Pública da Bahia, em Vitória da Conquista. A família está sendo perseguida após o assassinato de dois policiais militares na região. O duplo homicídio ocorrido no dia 13 de julho foi atribuído à família de ciganos que residia na localidade.
A demanda foi notificada à Defensoria por meio da Ouvidoria Cidadã. Cinco mulheres e sete crianças da família foram deslocadas para o município de Jequié e a Defensoria busca a inserção delas em um programa de proteção a testemunhas.
Após o homicídio, e com informações passadas populares, PM’s iniciaram perseguição aos supostos autores, conforme relatos que chegaram à Defensoria. Ao todo, dez homens foram acusados de envolvimento: um pai - que deu entrada em hospital com ferimentos à bala e já teve a prisão preventiva decretada - e nove filhos. Três deles morreram em confrontos com policiais, em Vitória da Conquista e também em Itiruçu.
De acordo com o defensor público José Raimundo Passos, a providência imediata foi se reunir com o Comando de Policiamento do Sudoeste. ”Os policiais militares foram convocados pelo respectivo Comando, que informou que não iria tolerar nenhum tipo de perseguição à comunidade cigana, a qual não tem nada a ver com a ação homicida contra os policiais”, informou.
O defensor público explicou que as pessoas pertencentes à família dos acusados - as cinco mulheres e sete crianças - estavam sendo atendidas pela Secretaria de Desenvolvimento Social de Vitória da Conquista. “Foi conseguido um abrigo provisório para que elas não permanecessem na comunidade. No entanto, diante da falta de segurança em Vitória da Conquista, elas desejavam ir para a cidade de Jequié”, completou.
Com isto, foi necessário acionar a Regional da Defensoria em Jequié. Como o respectivo município não tem abrigamento para pessoas em situação de risco, foi encontrada uma alternativa provisória para as cinco mulheres e sete crianças.
“Não vi outra alternativa a não ser acionar um abrigo provisório, uma associação filantrópica que sobrevive de doações e está buscando cadastro diante de órgãos competentes para receber recursos públicos. Embora com dificuldades financeiras e sem a estrutura necessária, o local se dispôs prontamente a receber o agrupamento familiar. E, conversando com a superintendência estadual de Direitos Humanos, decidimos buscar uma solução definitiva, que seria a inserção em um programa de proteção”, explicou a defensora pública Yana de Araújo Melo, coordenadora da 12ª Regional.
Em Jequié, a Defensoria estudou alguns programas de proteção em que a família pudesse se encaixar. Ao consultar a família e identificar o interesse, foi contatada a coordenação da Especializada de Direitos Humanos, a qual está encaminhando a solicitação de inserção no programa de proteção. Desde então, já foi realizada uma entrevista virtual de urgência com duas das cinco mulheres.
O caso já ganhou repercussão nacional e o conflito entre policiais militares e ciganos não mais se restringe ao grupo familiar. Entre as diversas instituições e órgãos públicos que contataram a Defensoria para acompanhar o caso estão o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
