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Desembargador do TJ-BA critica operação da PF e diz que não retirará candidatura a presidente

Por Cláudia Cardozo

Desembargador do TJ-BA critica operação da PF e diz que não retirará candidatura a presidente
Desembargador Carlos Roberto Araújo | Foto: Max Haack/ Ag. Haack/ BN

Em uma carta aberta, o desembargador Carlos Roberto Araújo, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), afirma que não retirará sua candidatura para o posto de presidente da Corte mais antiga das Américas. No documento enviado aos colegas de toga, ele diz que foi “afetuosamente” solicitado a retirar a candidatura para privilegiar um candidato único que fosse “a salvação da pátria”.

 

“Sou candidato, sim! E peço aos nobres colegas a confiança do voto, para que possamos todos juntos instaurar uma nova fase na Justiça Baiana, que a torne grandiosa e respeitada no cena?rio da Nac?a?o Brasileira”, afirma na carta. O desembargador declara ainda que a Operação Faroeste, autorizada no final de outubro, realizada um dia antes da eleição para a mesa diretora do TJ-BA para obstruir candidaturas legítimas e instaurar “perplexidade e indignação”. “Tudo isto para dar margem a candidatura de prefere?ncia do soi disant Establishment do Tribunal”, assevera o magistrado.

 

Para ele, a operação foi uma “invasão” no TJ-BA, em uma “medida exacerbada pela Policia Federal, numa diligência com cerca de duzentos policiais, secundados por procuradores da República, com apoio de helicopteros e presença ostensiva da mídia televisiva”. “A diligência poderia ser efetivada por meros quatro policiais, de maneira discreta, como em qualquer país civilizado. Entretanto, teve aparato exagerado de policiais, duzentos agentes, sob a batuta de representantes do Parquet”, criticou. Carlos Roberto Araújo classificou a medida como “espetaculosa, adredemente programada para as vésperas da eleição, com sabor eleitoreiro”.

 

Ele alerta que o mesmo grupo político realiza “manobra” em prol de um candidato único e que a tentativa pode ser uma “fraude à democracia”. “Voltamos aos períodos de candidatos únicos , em que a oposição era obrigada a engolir goela abaixo as 'soluções' dos donos do poder”, destaca. “Precisamos mudar estas pra?ticas em nosso Tribunal, torná-lo democrático, transparente, e infenso a práticas eleitoreiras dignas do baixo coronelismo dos burgos podres. Precisamos restaurar a grandeza do Poder Judiciário Baiano”, conclama na carta aos pares.