Associação da Advocacia Negra é lançada para combater racismo estrutural no Direito
Foto: Divulgação

Advogados e advogadas negras lançaram nesta quinta-feira (29) a Associação Nacional da Advocacia Negra (Anan). O lançamento ocorreu na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A entidade foi criada em 2016 pelo advogado Estevão Silva e possui mais de 1,5 mil profissionais associados em todo o país. O objetivo é desenvolver estratégias de combate ao racismo estrutural no direito. Dados do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (Ceert) mostram que presença de advogados negros em grandes escritórios, por exemplo, ainda é baixa.

 

Entre os profissionais brancos, 10,1% são estagiários e 48,3% são sócios e advogados juniores, plenos ou seniores. Já entre os negros, 9,4% são estagiários e nos cargos mais elevados, o número é estatisticamente irrelevante, menos de 1%.

 

Rosana Rufino, vice-presidente da Anan e advogada especialista em Direito da Família e do Consumidor, acredita que a disparidade no mercado de trabalho levará tempo para diminuir. Diante disso, ela explica que uma das iniciativas da associação é a capacitação de advogados negros para eles empreenderem. “Queremos fomentar a gestão de negócios dentro da própria comunidade negra para que os advogados tenham seus próprios escritórios e contratem profissionais negros de outras áreas também”, afirma. “É com o aumento da nossa atuação dentro dos órgãos públicos e privados que teremos força para lutar pelos direitos da população negra”, acrescenta.

 

A entidade tem como norte os advogados Luiz Gama, considerado fundamental no processo de abolição da escravatura, e Esperança Garcia, primeira advogada negra do Piauí. “São exemplos de pessoas que fizeram a transformação para ocupar espaços de poder e de liderança”, comenta Rosana Rufino.

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