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Quarta, 10 de Abril de 2019 - 00:00

Estudantes da Uneb fazem vaquinha para participar de julgamento simulado nos EUA

por Nuno Krause

Estudantes da Uneb fazem vaquinha para participar de julgamento simulado nos EUA
Foto: Divulgação

Andrea Souza, Eucileine dos Santos, Érica Landim, Bruna de Oliveira e Bianca Silva investiram seu último ano na preparação para a Competição de Julgamento do Simulado Interamericano de Direitos Humanos. As cinco são estudantes do curso de Direito da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), em Valença. O evento, que acontece entre os dias 19 e 24 de maio em Washington, capital dos Estados Unidos (EUA), é uma forma de treinar acadêmicos para encarar uma Corte e aproveitar para discutir direitos humanos. No entanto, para participar, elas precisam arrecadar um total de R$ 25 mil para bancar a viagem. Por isso iniciaram uma vaquinha virtual. 

 

Atualmente, as acadêmicas já possuem 60% do valor, o que representa cerca de R$ 15 mil. Segundo Eucileine, a arrecadação foi feita por meio de uma vaquinha virtual fazendo a divulgação de contas em três bancos. Além disso, utilizaram outros métodos, como bazar de livros e roupas, eventos na própria Uneb e uma intensa campanha de divulgação que rendeu apoio até de políticos e empresas de comunicação.

 

Campanha para arrecadar dinheiro foi feita por meio da internet | (Foto: Divulgação)

 

A diretora da Uneb Campus XV (Valença), Rosa Amélia Garcia, conta que as meninas tiveram que apelar para essa forma de arrecadação porque, infelizmente, a universidade não pôde dar a ajuda de custo necessária para que elas pudessem viajar. Os gastos se dividem entre passagens (R$ 15 mil), hospedagem (R$ 4 mil), inscrição da equipe (R$ 4 mil), alimentação (R$ 2 mil) e o deslocamento após a chegada aos EUA (R$ 2 mil). Hoje, a única pendência que resta são as cinco passagens.  

 

Essa é a primeira vez que uma universidade estadual do Brasil vai ter a oportunidade de participar do evento. Em Washington estarão reunidos estudantes de várias partes das Américas para debater um caso fictício sobre imigração internacional. A competição é dividida em duas fases. Na primeira, os participantes devem entregar um memorial escrito sobre o caso. Na segunda, é feita uma defesa oral perante a Corte simulada.

 

Responsável pelo projeto, o professor auxiliar Diogo Guanabara, Mestre em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, é quem tem feito a preparação das meninas para o simulado. Diogo também é técnico da Faculdade Baiana de Direito em uma competição de direito ambiental internacional, e diz que o que o motiva é o fato de ver como as alunas amadurecem a argumentação jurídica no processo. "Nós estamos vendo um nível de pesquisa muito aprofundado por parte delas. São meninas que nunca saíram do Brasil. Agora têm a chance de conhecer uma cultura nova, ter uma vivência que outras circunstâncias não permitiriam", comentou.

 

Diogo também aproveitou para explicar como será a participação da equipe no simulado. As estudantes Érica Landim e Bruna Oliveira ficarão responsáveis pela sustentação oral perante a "Corte" americana. O grupo vai representar as vítimas, imigrantes que têm problemas para permanecer nos países em que vivem atualmente.

 

Diogo acredita no potencial da equipe, e está feliz pela participação das estudantes na competição | (Foto: Divulgação)

 

Das cinco estudantes, quatro (Érica, Andrea, Bruna e Eucileine) são negras e entraram na universidade por meio de cotas. Eucileine afirma que essa é uma grande conquista. "Dentro de um contexto em que vemos pouco acesso da comunidade negra à universidade, podemos representar as mulheres negras no cenário internacional", disse.

 

Érica acredita que isso aumenta ainda mais a importância de se discutir sobre acesso e garantias para todos. "É importante discutir direitos humanos porque temos que demonstrar às pessoas que estamos falando dos direitos mais básicos. E não só os 'direitos dos manos', como muitos desonestos espalham por aí. Em tempos de barbárie, só nos resta nadar contra a corrente. E é isso que estamos fazendo agora", concluiu.

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