
Conheça os ex-presidentes brasileiros que já estiveram na cadeia
É inédita no Brasil a prisão de um ex-presidente por crime de corrupção e lavagem de dinheiro, como é o caso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a história do Brasil guarda em sua memória casos de ex-presidentes da República que foram parar na cadeia por outras razões.
Além do ex-presidente do PT, a operação Lava-Jato resultou na prisão de políticos e empresários influentes como é o caso do ex-presidente da empreiteira OAS Leo Pinheiro; de Antônio Palloci, que foi ministro da Fazenda no primeiro mandato de Lula; do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB – RJ).
Ao redor do mundo também há vários exemplos de ex-condenados que conseguiram se tornar chefes de Estado, como é o caso de Nelson Mandela, que em 1962 foi condenado à prisão acusado de conspiração contra o governo sul-africano.
Outro caso emblemático foi de Patrice Lumumba, que antes de se tornar o primeiro ministro do Congo, foi a peça-chave na luta anti-colonial, e em 1959, foi condenado à prisão por sete anos por conta do seu destaque no movimento pró-Independência do Congo.
Alguns ex-presidentes brasileiros que também já foram presos:
Hermes da Fonseca
O oitavo presidente do Brasil, de 1910 a 1914, foi preso entre julho de 1922 e janeiro de 1923. A razão? O político se tornou presidente do Clube Militar em 1921, o que gerou conflitos com o governo do então presidente Epitácio Pessoa, já que declaradamente, Fonseca apoiava as forças políticas da candidatura do opositor Nilo Peçanha, no movimento que ficou conhecido como ‘reação republicana’.
Além disso, o ex-presidente se envolveu na revolta militar de 1922, que não teve êxito e que ficou conhecida como revolta do forte de Copacabana. A prisão de Hermes da Fonseca foi decretada por Epitácio Pessoa em 2 de julho de 1922, mas no dia seguinte o político foi liberado. Já em 5 de julho foi acusado de conspiração na revolta ocorrida no Rio de Janeiro e ficou preso por seis meses.
Washington Luís
Como se deu o episódio? Em 1929, Washington Luís apoiou Júlio Prestes como sucessor à presidência. Até então, na presidência da República, predominavam os presidentes paulistas chamados de (café) e os mineiros (leite), de onde surgiu a expressão ‘política do café com leite’.
Os presidentes dos estados Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba negaram apoio à candidatura de Júlio Prestes, que foi eleito em 1 de março de 1930 contra os protestos de fraude da oposição. Em 24 de outubro de 1930, Washington Luís foi deposto e preso e a junta militar assumiu a presidência, entregando-a a Getúlio Vargas, em 3 de novembro de 1930.
Artur Bernardes
O ex-presidente mineiro atuou entre 1922 e 1926. O governo de Artur Bernardes teve como marcas a violência e repressão, seus opositores o chamavam de ‘O Calamitoso’. Em seu mandato, criou a Casa de Detenção da Clevelândia, lugar para onde mandava os seus opositores políticos.
No ano de 1932, o político se envolveu com a Revolução Constitucionalista de 1932, em consequência foi preso e exilado sob a ordem de Getúlio Vargas. Bernardes teve o mandato cassado e foi afastado da vida política com o golpe do Estado Novo.
Juscelino Kubitschek
O mineiro foi presidente entre os anos 1956 e 1961, era um opositor do regime militar desde o golpe de 1964. Por conta da ditadura, JK teve seus direitos políticos cassados. Chegou a se unir com João Goulart e Carlos Lacerda contra o regime militar por meio da Frente Ampla — criada em 1966 e embasada sob correntes políticas de esquerda —, que tinha como intuito o retorno da democracia.
A Frente Ampla foi extinta em 1968. O político foi preso na saída do Teatro Municipal e levado a um quartel em Niterói, onde ficou preso por 27 dias, e depois disso, liberado para viver em regime de prisão domiciliar.
