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Ambiente de faroeste: CNJ permite uso de arma por juiz em audiência em Goiás

Ambiente de faroeste: CNJ permite uso de arma por juiz em audiência em Goiás
Foto: Divulgação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve o arquivamento do processo contra um juiz federal que conduziu uma audiência armado. O processo contra o juiz foi aberto após um pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). O processo já havia sido arquivado, mas a OAB apresentou m recurso contra o arquivamento, sob o argumento que o uso da arma foi feito para intimidar as partes. A seccional também pontuou que, na mesma ocasião, o magistrado determinou que os telefones celulares das pessoas que acompanhavam a sessão, inclusive dos advogados, fossem recolhidos. O recurso foi votado nesta terça-feira (7), durante sessão plenária do CNJ. O início do julgamento ocorreu no dia 5 de junho em que o relator da ação, ministro corregedor João Otávio de Noronha, negou o recurso da OAB, por entender que, diante da violência e dos perigos a que estão sujeitos os juízes brasileiros, em especial no interior do país, o local em que os magistrados mais precisam de uma arma é justamente a sala de audiência. "Para caracterização de desvio ético do magistrado não é suficiente um mero porte de arma, com um sentimento vago de intimidação alegado pela parte autora”, declarou o ministro.

 

Na época, o julgamento foi suspenso com um pedido de vista do conselheiro Luciano Frota, para quem uma audiência não seria um "ambiente de faroeste" em que o juiz tenha de portar arma para se defender, mas um momento de harmonia. No entanto, ao apresentar o voto-vista, o conselheiro Frota afirmou que, depois de estudar o processo detidamente chegou à conclusão de que há ausência de provas de infração disciplinar porque não se configurou que o porte de arma teve um uso ostensivo. "Não que eu entenda que o juiz deva portar arma de fogo em sala de audiência, não acho que é um lugar adequado", disse o conselheiro Frota. Para ele, há necessidade de o CNJ se debruçar sobre o tema no futuro. A ministra Cármen Lúcia, presidente do CNJ, ressaltou que o Conselho examinou apenas o caso concreto e que não houve tomada de posição sobre essa matéria em tese.