MPF reabre investigação sobre morte de jornalista Vladimir Herzog na ditadura
O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) vai reabrir as investigações sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido em 1975, durante a ditadura militar no Brasil. O caso será novamente investigado após o Brasil ser condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Organização dos Estados Americanos (OEA), no início deste mês, pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista. O jornalista, na ocasião de sua morte, havia se apresentado voluntariamente para depor perante autoridades no Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi/Codi). Ele foi preso, interrogado, torturado e morto no local. Foi declarado que a causa da morte do jornalista era “suicídio”. “Queremos a Justiça, queremos conhecer os culpados, mas não é simplesmente uma questão de reviver o passado, mas de construir um futuro melhor. O presente que temos hoje é resultado do passado. Esse passado, se analisarmos os últimos 200 anos do Brasil, não mudou em nada. Os agentes do Estado continuam cometendo crimes e saindo impunes”, disse Ivo Herzog, filho do jornalista, que faz parte da Ouvidoria de Polícias do Estado de São Paulo. Para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o caso Herzog cumpriu os requisitos de crime contra a humanidade, o que extingue as possibilidades de prescrição e de anistia dos torturadores e assassinos.
