Sérgio Moro já tirou 37 dias de afastamentos da Justiça para viagens; maioria é para o exterior
Desde janeiro de 2017, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná, já pediu 37 dias de afastamento. Uma média mensal de dois dias de afastamento, além das férias. No início deste mês, o juiz tirou cinco dias de licença para assistir a uma opera no camarote real em Mônaco. Durante 19 dias de afastamento, outro juiz foi designado para substituí-lo. Nos outros dias, Moro se manteve à frente da operação Lava Jato à distância. Em um desses momentos, decidiu remotamente pelas condenações do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB) e do ex-ministro Antônio Palocci. Segundo o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), com o uso do processo judicial eletrônico, é possível que o juiz trabalhe de qualquer lugar do mundo. Só não pode realizar audiências e atender advogados. Dos 37 dias afastados, Moro esteve no exterior em 20, viajando para Mônaco, Estados Unidos, Portugal, Reino Unido, Argentina e Peru. Nas viagens, conhece autoridades locais e fala em universidades sobre o combate à corrupção. Durante suas férias, cumpriu uma agenda cheia, participando de encontros organizados por bancos, centros de estudos e grupos empresariais, como o Lide, ligado ao ex-prefeito João Doria (PSDB). Apenas uma viagem foi bancada pelo TRF-4, quando Moro esteve em Porto Alegre, em novembro de 2017, para ministrar um curso de formação inicial da carreira na magistratura. As outras viagens foram pagas por quem o convidou ou por ele próprio. Os dias afastados não foram descontados no salário do juiz. O salário base, sem benefícios, é R$ 28,4 mil. Os afastamentos estão previstos nos artigos 108, 128 e 129 da Consolidação Normativa da Corregedoria Regional da Justiça Federal da 4ª Região. O primeiro artigo afirma que, em caso de necessidade particular, os magistrados devem solicitar o afastamento, justificando o pedido e especificando o período.
