PUC-RJ é penalizada em evento esportivo após ato racista de alunos de Direito
A Liga Estadual do Rio de Janeiro baniu por um ano a PUC-RJ e retirou o título de campeã geral da competição, após atos racistas nos Jogos Jurídicos de 2018, realizado em Petrópolis no último final de semana. Alguns participantes dos jogos, da faculdade de Direito da PUC, foram racistas em diversos momentos da competição. Em nota, a atlética da faculdade de Direito da PUC afirmou que entrará em contato com a equipe de segurança dos jogos para identificar os autores dos atos racistas. A atlética da PUC-Rio ainda se comprometeu a obter depoimentos e relatos da equipe de seguranças e profissionais que trabalhavam no momento das acusações de racismo e levar as informações para que “sejam tomadas as medidas legais cabíveis contra os eventuais responsáveis”. Os jogos jurídicos reuniram oito faculdades de Direito do Rio de Janeiro para disputar competições esportivas coletivas e individuais, com a participação de milhares de alunos. No sábado (2), ocorreram os primeiros relatos de racismo no evento, em uma partida da semifinal do futebol masculino entre a PUC-Rio e a Universidade Católica de Petrópolis (UCP). Membros da torcida da PUC teriam jogado uma banana em direção a um jogador do time adversário. O atleta atingido levou o caso à organização do campeonato. A PUC teve que disputar as partidas sem a torcida. Outro caso aconteceu durante uma partida de basquete entre a PUC-Rio e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), no domingo (3). Os torcedores da PUC fizeram gestos e barulhos de macacos em direção à torcida da UERJ. Também aconteceu atos de racismo no jogo de handebol feminino entre a PUC-Rio e Universidade Federal Fluminense (UFF), ainda no domingo. Uma aluna relatou que uma das jogadoras do time foi chamada de “macaca” durante a partida. Os acontecimentos causaram comoção no meio jurídico. Um grupo de oito juízes de sete estados divulgou uma nota de repúdio aos casos de racismo. “A promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação é um dos objetivos da República brasileira e deve ser compromisso por todos assumidos. Aqueles que praticam a intolerância e a discriminação desconsideram o outro como ser digno de consideração e respeito. Condutas dessa natureza não devem encontrar lugar entre aqueles que integrarão as carreiras jurídicas”, diz trecho da nota assinada pelas juízas e juízes federais Adriana Cruz, Alcioni Escobar, Eduardo Pereira da Silva, Fabio Cesar Oliveira e pelas juízas e juízes de Direito Edinaldo Cesar Junior, Fabio Esteves, Karin Luise Pinheiro e John Silas da Silva. A atlética da PUC-Rio, ainda no comunicado, afirmou que repudia todo e qualquer ato de discriminação racial, em especial no esporte universitário. A organização também escreveu que “se faz necessária, por força legal e constitucional, a devida investigação policial, motivo pelo qual a atlética não desrespeitará princípios basilares da persecução penal, entre os quais a ampla defesa, o contraditório e, ainda, o devido processo legal”.
