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CNJ investiga quatro juízes por participarem de atos contra impeachment

CNJ investiga quatro juízes por participarem de atos contra impeachment
Foto: CNJ

Os juízes André Nicolitt, Simone Nacif, Cristiana Cordeiro e Rubens Casara, do Rio de Janeiro, serão investigados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por participarem de atos contra o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. O pedido de abertura da investigação foi feito pelo corregedor nacional de Justiça, ministro João Otávio de Noronha. Segundo o corregedor, a função do juiz segue uma ética própria. “Ser juiz não é ser um cidadão comum. Implica obedecer a uma série de normas específicas, a exemplo de outras profissões, como a de médico ou de engenheiro”, disse o corregedor, que exibiu um vídeo com a manifestação dos magistrados. Alguns conselheiros, apesar de votarem pela abertura do processo, fizeram ponderações de que outros magistrados fizeram manifestações políticas e membros do próprio Ministério Público, em palestras e eventos públicos. A conselheira Maria Teresa Uille sugeriu a possibilidade de o CNJ regular os limites da manifestação política dos magistrados. O conselheiro Henrique Ávila propôs uma resolução do CNJ sobre a questão. Segundo a ministra Cármen Lúcia, a Constituição Federal e Lei Orgânica da Magistratura (Loman) são suficientemente claras ao delimitar o direito à liberdade de expressão dos 18 mil magistrados brasileiros: “Nós, juízes, sabemos o que a Constituição estabelece como nosso dever e que, ao tomarmos posse, juramos cumprir.” Ao fim da sessão, a presidente do CNJ e do STF ainda reforçou: “São limites que a vida nos impõe para que tenhamos um marco civilizatório, uma vida em sociedade. Já é passada da hora de discutirmos no Poder Judiciário como um todo — tanto para o STF quanto para a juíza de Espinosa (MG). Não é possível que continuem havendo manifestações muito além dos autos, e dos altos e baixos das contingências políticas da sociedade. E se é certo que o juiz já não fica mais dentro do gabinete, da sua casa, também é certo que há de haver convivência sem que haja qualquer tipo de exorbitância ou desbordamento das suas atividades, porque o Poder Judiciário não dispõe de armas ou de tesouro, mas da confiança da sociedade que o legitima”. Diversos juristas brasileiros renomados manifestaram repúdio contra a decisão do CNJ. “A comunidade jurídica brasileira está estarrecida com a decisão tomada pelo Conselho Nacional de Justiça, ontem, de processar quatro juízes do Rio de Janeiro, por terem se manifestado contra o impeachment da Presidenta Dilma Roussef, no dia 17/04/2016. A alegação é de que os magistrados estariam se dedicando a “atividade político-partidária”, conduta vedada Pela Lei Orgânica da Magistratura. Assim como diversos outros juízes se manifestaram na época – de um lado ou outro da polêmica que se formou a respeito da legalidade do impedimento – os quatro estavam em ato público, organizado por entidades civis não ligadas a partidos políticos. Os juízes em questão, reconhecidamente produtivos e dedicados a causas humanitárias, são os únicos processados até o momento, demonstrando o viés discriminatório e seletivo da decisão. Três deles integram a AJD – Associação Juízes para a Democracia”, diz o texto, assinado por mais de cem juristas.