Morosidade transforma Judiciário em cupido e faz com que advogado se case com cliente
A morosidade do Judiciário brasileiro, por um momento, se tornou cupido. Isso porque, um advogado do Rio Grande do Norte acabou se beneficiando com o prazo para julgamento de um processo para se encantar pela cliente e até casar com ela. O caso – dos autos e do relacionamento – começou em 2013, quando a ação foi ajuizada no 2º Juizado Especial da Fazenda Pública de Natal. Na petição, o próprio advogado narra toda a história do relacionamento. “Convicto estava da plausibilidade do direito da autora que cometi o erro de anunciar o breve desfecho da causa. De fato, a minha inexperiência enquanto advogado e a beleza incomum da cliente fizeram-me afiançar o resultado da lide”, narrou. Como acreditava que tudo se resolveria rápido, não cobrou honorários – um erro assumido na própria petição -, disse foi constantemente questionado pela autora da evolução do processo e os motivos da liminar não ter sido apreciada. “De fato meu repertório de respostas esgotou-se e me vi acuado. O que fazer? Pensei. Chamei, então, educadamente a cliente para um almoço, que depois virou um cinema, um passeio na praia, um namoro, até que casamos no final de 2014. Quem diria, excelência, que eu me casaria com tão distinta moça? Pois é, já deu para ver que perdi aqueles honorários”. Neste ano de 2017, quatro anos depois que o processo foi distribuído, o juiz negou o pedido de liminar por não reconhecer a verba salarial como de caráter alimentar. “De fato isso me surpreendeu, mas também, agora escrevendo-lhe esse relato, mais me surpreende ter casado com minha cliente. Coisas da vida”. Segundo o site Migalhas, o advogado ainda verificou o volume de processos da vara e constatou que o acervo é grande para a quantidade de juízes e servidores, e disse entender a situação. “Não tenho do que reclamar, mas sim agradecer, pois tivesse o mérito sido resolvido antes, talvez recebesse honorários, mas não teria encontrado o amor.” No último 9 de agosto, o advogado, em nome da autora, agora esposa, pediu o julgamento do processo, pois não há mais provas a produzir. Ainda não há decisão de mérito e não se sabe se o juiz ficará tocado com a história.
