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Desembargador do TJ fala sobre necessidade de juízes negros em encontro no CNJ

Desembargador do TJ fala sobre necessidade de juízes negros em encontro no CNJ
Foto: Divulgação
A falta de magistrados negros foi discutida no I Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negros, ocorrido em Brasília, na última quinta-feira (11) e sexta (12). O desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) Ivanilton Santos da Silva, durante o evento, contou que é apenas um dos dois magistrados negros do 2º grau que atuam no tribunal. “Moro em Salvador, a cidade mais negra fora da África, e trabalho no Tribunal da Bahia, o estado de população maciçamente negra. Mesmo assim, só somos dois desembargadores num universo de quase 60 magistrados. É verdadeiramente uma tristeza constatar isso”, afirmou. Segundo o desembargador Ivanilton, ele só foi promovido em 2015 por antiguidade, não por mérito.  No encontro, foi pedido que todos os magistrados negros ficassem de pé. A plateia era composta por centenas de pessoas, mas apenas 21 se ergueram. Diante da desigualdade evidente, o evento se propôs a discutir questões como a reserva de vagas para negros em concursos públicos. A cota no Poder Judiciário é prevista desde 2015, através da Resolução 203 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida foi tomada após o Censo da Magistratura, realizado pelo Conselho, apontar que, em 2014, negros representavam apenas cerca de 15% do total de juízes do Brasil. Os dados ainda não correspondem à realidade, pois apenas 60% dos magistrados responderam a pesquisa. Ainda foi discutida a possibilidade de cotas para promoção de juízes. Também palestrante no painel, o ator Milton Gonçalves narrou as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, principalmente as relacionadas ao preconceito racial, e conclamou a união da população negra no Brasil. “Vocês aqui são heróis por terem estudado e se tornado advogados, juízes, promotores, profissionais negros, pois sempre acham que não somos capazes”, afirmou.