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Luíza Mahin é absolvida em júri popular simulado realizado pela Defensoria
Luíza Mahin foi líder da Revolta dos Malês | Foto: DP-BA
A líder da Revolta dos Malês, Luíza Mahin, foi absolvida na manhã desta quarta-feira (23) em júri simulado, realizado pela Defensoria Pública da Bahia (DP-BA). O evento inaugura o projeto piloto “Júri Simulado - Releitura do Direito na História”, uma série pensada pela Defensoria Pública com a proposta de garantir o resgate dos direitos de personagens da história popular que, à época, não puderam exercer a prerrogativa de todo acusado: o contraditório e a ampla defesa efetiva. "Sim, sou um negro de cor. Meu irmão de minha cor. O que te peço é luta sim. Luta mais! Que a luta está no fim", disse o defensor público Maurício Saporito, no papel de Juiz, proferiu a sentença que absolveu Luiza Mahin. A líder dos Malês foi acusada pela Coroa Portuguesa, em 1835, de conspiração. Luíza Mahin foi interpretada pela atriz do Bando Teatro Olodum, Valdinéia Soriano. No júri, realizado após 18 décadas da Revolta dos Malês, a absolvição de todas as acusações foi proferida por unanimidade pelos jurados. A defesa de Luiza Mahin foi sustentada pelo defensor público Raul Palmeira, em contraponto a uma acusação marcada pelo racismo da época, interpretada pela defensora pública Soraia Ramos. O evento ainda integra as atividades desenvolvidas pela Defensoria em homenagem ao Novembro Negro. O subdefensor público geral, Rafson Ximenes, coordenador do projeto de júris simulados, explicou a escolha: "nesse contexto, a gente pensou em ter uma liderança do movimento negro e uma liderança do movimento de mulheres, diante disso, decidimos abordar a revolta dos malês e destacar um símbolo dessa revolta e das mulheres negras do estado da Bahia, Luiza Mahin, que é um personagem indiscutivelmente com uma história polêmica, cheia de controvérsias, mas muito representativa das mulheres e da população pobre baiana”. Segundo Saporito, o evento tentou reproduzir o julgamento que deveria ter acontecido na época. "Como não temos todo o aparato judicial e usamos outro modelo de júri, adaptado para um júri atual, a dinâmica foi a que está no processo penal com algumas adaptações de tempo. É importante que fique claro que foi uma simulação, e não um teatro, e o resultado foi uma surpresa, dependeu dos jurados, tudo isso foi necessário para que se pudesse reproduzir um julgamento que teria acontecido", destacou. Valdineia Soriano disse ter ficado emocionada em interpretar Luíza Mahin. "Enquanto mulher negra, eu me senti tocada, houve momentos da acusação que parecia que aquela fala era para mim. E depois vem Raul com aquela defesa linda. Foi realmente emocionante. Um projeto que mexeu verdadeiramente comigo", afirmou. Após o julgamento, a secretária de Política para Mulheres, Olívia Santana, ministrou uma palestra sobre negros na história.

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