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'A sociedade não pode pagar essa conta', diz presidente da Ampeb sobre PLP das Demissões

Por Cláudia Cardozo

'A sociedade não pode pagar essa conta', diz presidente da Ampeb sobre PLP das Demissões
Foto: Adep-BA
Diversas categorias que compõem o Sistema de Justiça realizam um protesto na manhã desta segunda-feira (1º), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), contra o Projeto de Lei Complementar e Outras Proposições (PLP) 257, já chamado de “PLP das Demissões em Massa e da Injustiça”. Ao Bahia Notícias, a presidente da Associação dos Membros do Ministério Público (Ampeb), Janina Schuenck, afirmou que a medida vai trazer prejuízos para todos os MPs, “sem que haja qualquer despesa a mais, qualquer incremento, por causa da nova forma de cálculo da Lei de Responsabilidade Fiscal”. “As instituições vão extrapolar o limite prudencial sem ter feitos novas despesas. E com isso, a lei exige que sejam feitas exonerações, primeiro dos contratados, depois dos servidores em estágio probatório, depois pode alcançar os servidores efetivos e promotores de Justiça substitutos, porque não detém vitaliciedade”, explica. Para Janina, a proposta será “catastrófica” para o Ministério Público da Bahia (MP-BA). “Para nós isso é terrível, porque temos mais de 180 promotorias vazias no interior, sem promotor titular. E nós temos um quadro de servidores e analistas muito vago, muito escasso e isso pioraria, de maneira que várias promotorias de Justiça ficariam sem servidor, sem promotor, de portas fechadas para a população”, assevera. Janina diz que “a população não pode pagar essa conta” e que existem outros projetos “que asfixiam as instituições de combate à corrupção”, como o PL 280, que está no Senado, que trata dos crimes de abuso de autoridade, “e coloca quase toda a atividade do Ministério Público como se abuso de autoridade fosse”. “Existem muitos projetos que a gente não pode deixar passar. Nós precisamos, para melhorar essa situação de crise, estancar a sangria dos cofres públicos que ocorre com a corrupção e com propaganda, por exemplo, mas prejudicar a prestação do serviço público, não é o que a sociedade quer”, pontua. A presidente da Ampeb diz ainda que a proposta vai onerar os aposentados, com aumento da contribuição para 14%. A entidade ainda acompanhará na tarde desta segunda a votação do texto na Câmara dos Deputados, em Brasília. “Nós não somos contra a organização da economia, nem refinanciamento da dívida do Estado, se entender que é necessário, mas não pode ser feito dessa maneira, não pode ser feito a esse preço”, reclama. Janina também indica que a medida pode trazer prejuízos para atividades de investigação do MP, como controle de improbidade e combate à criminalidade em diversas comarcas da Bahia.