Associações repudiam possível exoneração de advogado-geral da União
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
O advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, pode ser afastado pelo presidente interino Michel Temer, que estaria insatisfeito com o trabalho do advogado. A exoneração pode ocorrer ainda nesta segunda-feira (6). Diversas entidades de classe, como a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), defenderam Osório. De acordo com a Ajufe, o advogado vem prestando apoio institucional ao trabalho da Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal no combate à corrupção e improbidade administrativa. “O Advogado-geral da União também tem procurado valorizar os resultados alcançados pela Operação Lava-Jato e adota medidas para o ajuizamento de ações judiciais contra aqueles responsáveis pelos desvios de recursos públicos”, disse a nota, assinada pelo presidente da Ajufe, juiz Antônio César Bochenek. A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) também manifestou repúdio a uma troca na AGU. “O ministro já demonstrou exemplar espírito público, ao reforçar a atuação da AGU no combate à corrupção e ao ajuizar ações bilionárias contra empreiteiras, na tentativa de recuperar ativos dos cofres públicos”, escreveu a entidade. O Movimento dos Advogados Públicos Aposentados também defende a manutenção de Osório no cargo. Outra entidade a se manifestar foi a Associação Nacional dos Advogados da União, que diz que, “independentemente de quem esteja atualmente no exercício do cargo de Advogado-Geral da União, fato é que, pela primeira vez desde a deflagração da operação ‘Lava Jato’, a AGU vem tendo espaço mínimo para uma atuação efetiva na defesa do patrimônio público e para a recuperação dos valores desviados do contribuinte”. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, disse que a AGU deve “perseguir a realização do interesse público em suas atuações consultivas e contenciosas". “As ações já tomadas pelos advogados da União e pelo atual advogado-geral da União, em defesa do patrimônio público não podem ser alvo de pressões e constrangimentos estranhos aos interesses do Estado. É legítimo que a AGU zele pelo pagamento do que é devido à União", diz Lamachia. "Essas nobres missões não podem ser interditadas por disputas políticas e interesses menores”, finalizou.
