Comissão da OAB-BA repudia danos a busto de Mãe Gilda, em Itapuã
A comissão de Combate à Intolerância Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), em uma nota de repúdio divulgada nesta quarta-feira (11), demonstrou “profunda indignação os atos de vandalismo perpetrados contra o busto de Mãe Gilda (in memorian), liderança religiosa de nossa capital, instalado no Parque Metropolitano do Abaeté, no bairro de Itapuã”. De acordo com a comissão, os danos causados no busto no último dia 3 de maio, “demonstram o quanto ainda se faz necessária a adoção de mecanismos enérgicos de desestímulo à violência urbana e patrimonial e, ainda mais, à violência simbólica que perpassa pela imagem, memórias e negativa da relevante e decisiva contribuição das religiões de matriz africana para a criação da identidade cultural baiana". A Comissão vai pedir que a OAB-BA encaminhe um pedido a Secretaria de Segurança Pública e à Polícia Civil uma atenção especial ao caso e investigue a violação, seja por violência urbana ou intolerância religiosa, e requer que a Guarda Municipal reforce a segurança do patrimônio público na região. O busto foi colocado na região em homenagem a Mãe Gilda, que morreu em 21 de janeiro de 2000. Ela fundou o Terreiro Ilê Abassá de Ogum em 1988, em Itapuã. Ela era uma ativista social em busca de melhorias para área de Nova Brasília de Itapuã. Em setembro de 1999, o jornal da Igreja Universal publicou uma manchete afirmando que “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e vida de clientes”, com uma foto dela na capa. Dois meses antes, o terreiro havia sido invadido por evangélicos de outra igreja. Ela morreu de um infarto, após assinar uma procuração para advogados processarem a Igreja Universal. A morte da líder religiosa motivou a criação da Lei 11.635/2007, que instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para a comissão da Ordem, “o ataque ao monumento em homenagem a Mãe Gilda escancara, numa cosmovisão, o retrocesso político, democrático e das lutas libertárias pelo exercício de direitos humanos fundamentais, tais como a liberdade religiosa, em nossa sociedade contemporânea, constituindo-se num verdadeiro atentado à cidadania”. A filha de Mãe Gilda, a yalorixá Jaciara Ribeiro, registrou a ocorrência um boletim de ocorrência na 12ª Delegacia de Itapuã. A Ordem ainda salienta que o caso deveria ser tratado em uma delegacia especializada, garantido pelo Estatuto da Igualdade Racial e Combate à Intolerância Religiosa.
