Procurador da Lava Jato afirma que Lula está ‘na cadeia de comando’ do petrolão
Procurador Carlos Fernando dos Santos Lima | Foto: Reprodução / G1
O procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, do Ministério Público Federal (MPF), afirmou que “há uma linha de investigação” da Operação Lava Jato que “aponta Lula na cadeia de comando”. "Temos indicativos claros de que havia conhecimento dele a respeito dos fatos e o governo dele era o principal beneficiado do financiamento da compra de base de apoio parlamentar”, declarou em entrevista à revista Época. Ele, que é um dos condutores da ação e negocia grande parte dos acordos de delação premiada, disse também que quem quiser fazer colaboração em troca de benefícios terá que trazer, a partir de agora, “uma coisa muito extraordinária”. Sobre o ex-presidente ser o real proprietário do sítio em Atibaia e do apartamento tríplex no Guarujá, em São Paulo, como apontam as investigações, o procurador assegurou não ter dúvidas de que Lula “era a pessoa que tinha usufruto daquele sítio”. “Mas ainda precisamos fazer uma série de diligências. No tríplex é a mesma situação. Não temos nenhuma dúvida”, afirmou. Lima defendeu também a polêmica condução coercitiva do ex-presidente para prestar depoimento na sede da Polícia Federal, em São Paulo. “Nossa preocupação foi tirá-lo do local para evitar o risco a ele, aos nossos agentes, e também impedir essa movimentação. Chegaram a dizer que algumas pessoas iriam acampar na frente do prédio para evitar qualquer tipo de atitude nossa. A condução se baseou em fatos concretos que indicavam a dificuldade de cumprir medidas”, explicou. O procurador ainda afirmou crer que um eventual governo Michel Temer, que pode chegar ao Palácio do Planalto caso Dilma Rousseff seja afastada no processo de impeachment que tramita no Senado, não trará “nenhum perigo ou tentativa de limitar o alcance das investigações”. Lima também disse que a Lava Jato, que já está em sua 27ª fase, tem hora para acabar. No entanto, pode criar uma “série de filhotes que vão se espalhar pelo Brasil”. “Eu creio que, do mais importante, talvez até dezembro já tenhamos um panorama bem completo. Mas vamos ter anos e anos de acusações criminais com o material que temos”, concluiu.
