Proibição de lista suja e falta de recursos são problemas no combate ao trabalho escravo
Por Cláudia Cardozo
Ilan Fonseca, procurador do Trabalho | Foto: Jamile Amine
Em 2004, no dia 28 de janeiro, durante uma força-tarefa para resgatar trabalhadores que estavam em situação de trabalho escravo, em uma fazenda em Unaí, em Minas Gerais, auditores fiscais do Trabalho foram mortos. A data foi transformada e um dia de combate ao trabalho escravo no Brasil. Na Bahia, o combate ao trabalho escravo tem se intensificado através de uma comissão formada por diversas entidades. O procurador do Trabalho, Ilan Fonseca, é um dos atores que participam das operações que resgatam trabalhadores que estão em situações degradantes. Ao Bahia Notícias, o procurador contou um pouco das dificuldades de se realizar as operações no Brasil, como a redução do número de auditores fiscais e dos grupos móveis de resgate e das ações para que o Supremo Tribunal Federal (STF) revogue a liminar que proibiu a publicação da lista suja do trabalho escravo, que revela o nome das empresas que mantém trabalhadores em condições desumanas para o trabalho. “A data é importante para esclarecer o trabalho escravo no Brasil. Muita gente ainda confunde o que vem a ser trabalho escravo e ainda imagina que trabalho escravo é somente aquele trabalho em que a pessoa trabalha de forma acorrentada. Não é. Também é, mas não é só isso”, diz o procurador. Ele explica que essas situações comparadas ao trabalho escravo, são caracterizadas “pela ausência de sanitários para fazer suas necessidades, que cortam vinte toneladas de cana por dia, que vem de outras cidades e não tem um contato com seio familiar, não tem contato com as instituições”. “São trabalhadores que já saem dos seus municípios endividados e aí chegam às fazendas e não conseguem quitar suas dividas. É importante o papel das instituições, dos órgãos, pra esclarecer a população e pra combater esse tipo de crime que ainda existe”, pontua. Ilan Fonseca ainda diz que na Bahia, muitos casos de trabalho escravo são registrados no oeste e no extremo-sul do estado, em fazendas de café, cana de açúcar, granjas e até em navios. Clique aqui e leia a entrevista completa!
