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Juiz goiano defende direito ao aborto em casos de microcefalia com risco de morte do feto

Juiz goiano defende direito ao aborto em casos de microcefalia com risco de morte do feto
Reprodução/ Route News
O juiz Jesseir Coelho de Alcântara, titular da 1ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida de Goiânia, acredita que a interrupção da gravidez em casos de microcefalia com previsão médica de morte do bebê é "válida". "Se houver pedido por alguma gestante nesse caso de gravidez com microcefalia e zika, com comprovação médica de que esse bebê não vai nascer com vida, aí sim a gente autoriza o aborto", afirmou em entrevista à BBC Brasil. Alcântara já permitiu interrupção de gestações em casos de síndromes de Edwards e de Body-Stalk, anomalias que inviabilizariam a sobrevida do bebê fora do útero. "A anencefalia e a microcefalia severa, com morte no nascimento, são casos similares", avalia. Para o juiz, se a lei permite o aborto é permitido por lei em casos de fetos anencefálicos (mal que impede o desenvolvimento cerebral do feto), também se justifica em "gestações em que o feto comprovadamente nascerá sem vida", devido à microcefalia. Ele afirma que, para que tomar a decisão, são necessários três laudos médicos, mais parecer favorável do Ministério Público. No Código Penal, são previstas duas formas legais de aborto: em casos de risco de vida para a mãe ou em gestações resultantes de estupro. Em 2012, o STF admitiu uma terceira hipótese e a interrupção de gestações de fetos anencéfalos deixou de ser crime.