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Projeto para estabelecer Justiça Restaurativa no Brasil se arrasta há 10 anos em Brasília

Por Cláudia Cardozo

Projeto para estabelecer Justiça Restaurativa no Brasil se arrasta há 10 anos em Brasília
Foto: Ana Volpe/Agência Senado
Método que busca solucionar conflitos interpessoais com um acordo jurídico, a Justiça Restaurativa ainda engatinha. Apesar de a medida ser vista com entusiasmo, e que pode trazer resultados qualitativos para sociedade, a Justiça Restaurativa ainda não é aplicada em todos os tipos de crimes na Bahia. Isso porque, ainda não há uma lei que regulamente o uso da Justiça Restaurativa nos tribunais. Cabe as Cortes baixarem resoluções para normatizar a atividade, e não obriga a todos os juízes a adotar a prática. De acordo com o juiz Jonny Maikel, existe um projeto de lei para estabelecer a prática da Justiça Restaurativa no país, que tramita no Congresso Nacional há quase 10 anos. Nesse tempo, o projeto é arquivado e desarquivado por algum parlamentar. “Esse projeto não prossegue por causa da resistência que é muito grande. A cultura do ocidente como um todo, é muito punitiva. Quando ocorre um fato, a maioria das pessoas já pensa: qual vai ser a pena dele? Ninguém se preocupa, em princípio, a resolver o problema. Nós chamamos isso de racionalidade penal moderna. Pensamos mais na pena do que não solução. Esse que é o grande problema. A gente tenta mostrar que existe outras formas de solucionar o problema penal. Não existe apenas uma forma”, diz o juiz, acrescentando que o sistema atual não consegue dar uma resposta para os crimes, bastando “ver que os presídios estão lotados”. A aprovação de uma lei é defendida pelos juristas que militam pela Justiça Restaurativa para que, desta forma, os tribunais garantam recursos para custear o pagamento dos profissionais interdisciplinares, como psicólogos e assistentes sociais. Atualmente, o projeto é desenvolvido a partir do voluntariado, mas isso pode prejudicar o andamento das restaurações, caso um voluntário deixe o processo por impedimentos diversos.  O método pode ser aplicado antes do processo, no curso do processo, na execução das penas, e até mesmo dentro de presídios, e em casos mais extremos, para restauração de relações quando envolve homicídios. O grupo baiano já tem capacitado policiais para identificar quando é o caso de acionar a prática. Sobre os ganhos que a prática pode trazer para a sociedade, a desembargadora Joanice de Jesus diz a medida não reduz o volume de processos, nem o tempo, nem os custos. Mas representa uma qualidade para a pessoa e evita a reincidência de crimes. “Esse é o melhor custo que se pode medir em longo prazo. Não vai ter mais a reincidência, e esse é o nosso objetivo. A gente não pode pensar em economia processual”, pontua.