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Sindicatos acusam TJ de não chamar entidades para discutir redução de 'penduricalhos'

Por Cláudia Cardozo

Sindicatos acusam TJ de não chamar entidades para discutir redução de 'penduricalhos'
Proposta foi apresentada por Eserval Rocha | Foto: TJ-BA
O coordenador do Sindicato dos Servidores Auxiliares do Poder Judiciário da Bahia (Sintaj), Antônio Jair, afirmou ao Bahia Notícias que foi pego de surpresa com a notícia de que o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador Eserval Rocha, apresentou um anteprojeto de lei para modificar o plano de cargos e salários para reduzir os chamados “penduricalhos” e os supersalários. Segundo o coordenador, o projeto está “trazendo muita confusão no meio dos servidores”, que ainda não sabem se a proposta será vantajosa ou não. Antônio Jair disse que foram pegos de surpresa, pois no acordo para findar a greve dos servidores, ficou estabelecido que uma comissão seria criada para discutir o plano de cargos e salários, e que os sindicatos seriam chamados para integrar a comissão. Para surpresa do sindicalista, “essa comissão já existia, tanto é que o plano já está aí, apresentado”. “Nós saímos de uma greve e um dos pontos acordados é que assim que fosse criada uma comissão para construir o plano de cargos e salários que os sindicatos seriam chamados para participar. Nós colocamos isso no acordo porque alguns meses atrás, em uma reunião do comitê gestor que ele participou, ele disse já existia a comissão, que estava elaborando o plano de cargos e salários para ser aprovado até dezembro, e as assessorias nos informaram que não havia comissão. Ou seja, prevaleceu o que disse o presidente. Ele já tem sim uma comissão, já tem um plano de cargos e salários instituído por subsídio, e quer apresentar somente para que a gente, em um prazo, leve sugestões e críticas. Para ele, isso é um processo democrático, só que para gente não é democrático”, conta o sindicalista. Jair ainda frisa que democrático é o processo que envolve os servidores, e que, da forma que está, as sugestões apresentadas podem ou não ser acatadas.


Antônio Jair, coordenador do Sintaj | Foto: Reprodução/Facebook

Jair diz que o sindicato ainda vai analisar a proposta de transformar os benefícios em uma parcela única, em forma de subsídio, para ver os prós e contras. Em uma primeira avaliação, os servidores mais antigos podem ser prejudicados na visão do Sintaj, e que os servidores que ingressaram no quadro do TJ podem ser beneficiados, em um primeiro instante. Entretanto, o sindicalista diz que, a medida em que os anos forem passando, eles também serão afetados, por ser um plano que engessa o crescimento profissional. Sobre os argumentos apresentados de que a medida gerará uma economia para os cofres públicos, Antônio Jair diz que, ao adotar medidas administrativas e orçamentárias, o tribunal “só visa aos cofres públicos”. “Só que nós entendemos que o caso deve ser analisado como um todo. Somos servidores do TJ. A vida financeira do servidor tem que ser levada em consideração. Não só o benefício para administração”, pontua. O Sintaj ainda vai analisar se há inconsistências jurídicas no plano, e que se houver, vai interpor ações para barrar o texto. 

O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sinpojud) em nota, afirma que também não foi chamado para o debate da proposta e nem das alterações apresentadas. “A Diretoria Executiva do Sinpojud está reunida com assessores jurídicos e técnicos contábeis, mas já adianta que se posiciona contrária a esse PL, que fere direitos já garantidos constitucionalmente”, diz o texto. A entidade ainda critica a gestão de Eserval Rocha, que “há muito vêm sendo criticado pela categoria, pois na medida em que atribui aos servidores a responsabilidade da oneração orçamentária na folha do TJ-BA, não paga direitos já garantidos, cria novas varas e câmaras, além de tolhi os servidores de qualquer manifestação contrária aos atos ditatórios e antidemocráticos do presidente”. O texto ainda será analisado pela Comissão de Reforma Judiciária do TJ, e posteriormente será votado no Pleno do tribunal antes de seguir para a Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).