'Quem advoga sabe que discurso populista não resolve problemas', rebate Rátis sobre Viana
Por Bruno Luiz
Foto: Luana Ribeiro / Bahia Notícias
“Quem advoga sabe que o discurso populista não resolve os problemas do Poder Judiciário”. Foi desta forma que o candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA), Carlos Rátis, rebateu, em entrevista ao Bahia Notícias, declaração do presidente da instituição, Luiz Viana, de que ‘só quem não advoga pode dizer que advogar na Bahia não é um inferno’. A fala do atual mandatário da seccional baiana, proferida durante evento que reuniu cerca de 140 advogados na última quarta-feira (2), por sua vez, é uma espécie de “réplica” a outra afirmação de seu futuro opositor nas eleições de novembro da Ordem, que aventou que não se pode falar que “advogar na Justiça baiana é um inferno”. Em mais um episódio deste bate-rebate sobre a temperatura do inferno na advocacia baiana, Rátis treplicou a declaração de Luiz Viana afirmando que este tipo de discurso deixa os jovens causídicos desesperançosos. “Os jovens advogados não podem vir a estarem presentes com um discurso que vem a ser populista. Devemos ter muita responsabilidade quanto ao funcionamento dos poderes como um todo. O que deixo bem claro é que é preciso levar uma boa perspectiva para os advogados iniciantes, para que eles saibam que, tendo acesso a uma boa formação, buscando melhor qualificação, lutando no dia a dia, as oportunidades surgirão”, afirmou ao Bahia Notícias na última quinta-feira (3).

O atual presidente do Instituto dos Advogados da Bahia (IAB) reconheceu que a Justiça baiana está em face a momentos difíceis e que os próprios advogados sofrem com atual conjuntura caótica. No entanto, reiterou que a Ordem precisa buscar soluções para o problema, e não responsabilizar somente o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) ou seu presidente, desembargador Eserval Rocha, pela desordem no Judiciário estadual, que enfrenta greve de servidores há mais de um mês e intervenções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). “As instituições devem estar lutando juntas para minimizar os problemas do Poder Judiciário. Nós não podemos responsabilizar, depositar os problemas no Poder e, muito menos, no presidente. Nós não podemos personalizar os problemas do Poder Judiciário”, afirmou. “A OAB, as instituições devem estar em diálogo constante para, junto com as demais, minimizar os problemas. Não podemos desmerecer nosso papel de responsabilidade no funcionamento regular ao Poder Judiciário”, reiterou. Para Rátis, uma das soluções para que o Judiciário na Bahia volte a funcionar regularmente seria o ingresso na Justiça com ações contra o Estado. “Quantas ações foram propostas contra o estado da Bahia, para que o próprio funcionamento vai se suceder, para que as prerrogativas dos advogados fossem atendidas?”, questionou. O pré-candidato ao mais alto posto da OAB-BA seguiu: “precisamos tomar providências, precisamos de instituições combativas e que tomem, verdadeiramente, providências. É claro que a OAB não vai resolver os problemas do Judiciário de uma hora para outra, seria um discurso vazio e até inconsequente”. “No entanto, pelo Brasil, a história vem demonstrando que inúmeras seccionais, quando tomaram providências contundentes judiciais contra o mau funcionamento do Poder Judiciário, houve reflexos positivos”, concluiu. Apesar de a campanha para as eleições na seccional baiana da OAB só começar em outubro, Viana e Rátis, além de candidatos à presidência, mostram-se postulantes também ao título de protagonistas desta disputa pela presidência e, aos poucos, parecem ditar qual será o tom dela.
