Clientes acusam defensor público alvo de ação no MP de apropriação indébita
Por Estela Marques
Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias
Após reportagem do Bahia Notícias sobre a ação movida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) contra o defensor público estadual Glauco Teixeira, duas vítimas procuraram o Bahia Notícias para reforçar a acusação. José Adilson e Francisco Rocha contrataram Teixeira em 2012 para resolver pendências judiciais de suas empresas. Com o passar do tempo, surgiu uma relação de amizade entre contratantes e contratado, até que Teixeira não mais atendeu aos “amigos”. O motivo do rompimento, conforme relataram Adilson e Rocha, é similar ao objeto de ação judicial movida contra Teixeira. Segundo o processo, o defensor público teria se apropriado indevidamente de R$ 4,7 mil de um cliente, quando ainda atuava como advogado. A vítima, de acordo com o processo, é Joselito Correia, que escreveu uma carta de próprio punho negando a acusação do MP-BA. O relato de José Adilson é similar à denúncia do MP-BA. Em 2012, a vítima teria contratado Teixeira para cuidar do processo de compra e venda de uma autoescola da qual era sócio. “Ele começou o relacionamento, foi tomando pé da situação e começou, segundo ele, a dar entrada nos processos que era requisitado. Ele mandava DAJs, solicitava depósitos; a gente cobrava os processos e ele dizia que estava quase ganho, mas que pra gente receber, era preciso pagar os documentos”, lembrou Adilson. Nessa fase, a vítima teria desembolsado R$ 20 mil “e o processo não caminhava”. De acordo com a Adilson, outra "desculpa" utilizada por Teixeira ao ser cobrado o número dos processos era que “estava sendo digitalizado, por isso não tinha como passar o número”. “Começamos a desconfiar, fui várias vezes na casa dele, ele passou a não estar disponível pra gente; empresas que foram indicadas por nós começaram a achar estranho e contataram outros advogados, que disseram que nada foi localizado”, acrescentou. Depois das cobranças, Teixeira teria se mudado para a casa da mãe, na Baixa do Bonfim, e passado a dar entrada nos processos de forma aleatória. “Ele se utilizava de doença que dizia ter, câncer, para justificar quando não podia atender a gente”, continuou Adilson.

Documento emitido por Teixeira seria falso, segundo vítimas
(Foto: Arquivo pessoal/ José Adilson)
(Foto: Arquivo pessoal/ José Adilson)
Inquieto com a situação, Francisco Rocha relatou que procurou Teixeira na sede da Defensoria Pública do Estado da Bahia, em novembro de 2014, período em que o advogado fazia curso preparatório para assumir o cargo. A promessa teria sido a de depositar o dinheiro do qual indevidamente Teixeira teria se apropriado. Como a situação não foi resolvida, Rocha e seu sócio voltaram ao local. “Havia uma pessoa armada que ele levou. A pessoa fez questão de mostrar a arma pra gente, levantando a blusa. Se dirigiu à gente de maneira agressiva, disse que ia nos prender”, lembrou Rocha, que não sabe quem era o homem, já que ele não se identificou. O empresário especula que dezenas de pessoas estão na mesma situação e o montante embolsado por Teixeira está em torno de R$ 500 mil, dos quais R$ 200 mil apenas no município de Jequié. As vítimas afirmaram que denunciaram o caso à polícia, à Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA) e à Defensoria Pública do Estado, mas nada teria sido feito até então. A reportagem do Bahia Notícias contatou a OAB, que disse não ter autorização para divulgar a existência de processos sobre algum advogado ou advogada (em conformidade com a o parágrafo 2º, do art. 72, da Lei 8.906/2004). A Defensoria Pública não retornou o contato.
