MPF diz que Lava Jato deve levar à devolução de R$ 1 bilhão até o fim do ano à Petrobras
Por Bruno Luiz
Carlos Fernando Lima, procurador do MPF | Foto: Reprodução/MPF
A Procuradoria-Geral do Ministério Público Federal afirmou na manhã desta quinta-feira (2) que as investigações da Operação Lava Jato devem levar, até o fim do ano, à devolução de R$ 1 bilhão, espontaneamente, à estatal. A informação foi dada durante entrevista coletiva do MPF sobre a prisão do ex-diretor de Internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, durante o início da 15ª fase da Operação Lava Jato. De acordo com o procurador do MPF, Carlos Fernando dos Santos Lima, a prisão do ex-diretor da estatal foi motivada pela transferência ilegal de cerca de 11 milhões de euros (cerca de R$ 35 milhões), por parte de Zelada, da Suíça para Mônaco como forma de dificultar a repatriação do dinheiro pela Justiça brasileira. O montante transferido por ele não para por aí. De com o procurador do MPF, Zelada repassou também mais de US$ 1 milhão para contas na China. Lima afirmou que a quantia movimentada por Jorge Luiz foi “fruto de corrupção” e não de seu salário como diretor da Petrobras, que chegava a quase R$ 100 mil. Segundo ele, a divisão da propina vinda através de negociação de contratos ocorria em forma de “corretagem”. “Na diretoria de Serviços, temos divisão de valores por celebração de contratos de obras como refinarias, usinas, gasodutos. Na diretoria internacional, temos fortes indicativos de que ele recebeu valores pela celebração de contratos de aluguel de sondas”, explicou o procurador. Ele afirmou ainda que não há indícios de vinculação de políticos com pessoas investigadas na nova fase da Lava-Jato e que não existem sinais de irregularidades em outras diretorias da empresa. Sucessor de Nestor Cerveró na diretoria de Internacional da Petrobras, não há indicativos de relação entre Zelada e o já investigado na operação, de acordo com o procurador do MPF. Preso na manha desta quinta-feira (2), no Rio de Janeiro, Jorge Luiz Zelada já foi transferido para a sede da Polícia Federal em Curitiba (PR).
