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Diretor e atores são absolvidos de acusação de ofender religião em peça

Diretor e atores são absolvidos de acusação de ofender religião em peça
Foto: Reprodução
Diretor e atores de São Paulo foram absolvidos da acusação de blasfemar publicamente objeto de culto religioso. O diretor do Teatro Oficina Uzyna Uzona, José Celso Martinez Correa, conhecido como Zé Celso, e os atores Mariano Mattos Martins e Tony Reis foram denunciados pelo padre goiano Luiz Carlos Lodi da Cruz pela encenação de trecho do musical “Acordes” realizada na praça da cruz da PUC-SP em 2012, a pedido de dirigentes, professores e alunos que estavam em greve. Assim como na peça original, o boneco foi mutilado e, ao final, decapitado – como alegoria à necessidade de se rebelar contra o autoritarismo. As informações são do site Migalhas. A decisão de absolvição é do juiz de Direito Jose Zoega Coelho, do JECrim de São Paulo. Para o padre Lodi da Cruz, houve vilipêndio aos objetos de culto religioso, não só ao boneco do Papa, mas também à cruz de pedra que se encontra na praça da PUC. Inicialmente, o magistrado esclareceu que “objeto de culto é tão somente aquele inerente ao serviço do culto, ou seja, utilizado durante alguma celebração religiosa”. Assim considerou que, o boneco do papa e a cruz de pedra, “ainda que a eles se atribuam valor ou estima de fundo religioso, não estão abrangidos pela proteção penal”. Além disso, ao analisar as imagens da encenação, o juiz verificou que não há indícios que caracterizem o vilipêndio, uma vez que o objetivo dos atores não era os objetos, mas a crítica aos posicionamentos da igreja Católica. “A liberdade de manifestação do pensamento, constitucionalmente assegurada, aqui socorre os Réus. Nenhuma igreja está imune à crítica, por qualquer meio ou forma de expressão, notadamente a teatral”, explicou. O magistrado ainda reconheceu a prescrição da pretensão punitiva estatal e julgou extinta a punibilidade relativamente a Zé Celso.