Eserval Rocha acusa Telma Britto de impedir votação de separação de varas cíveis e de consumo
Por Cláudia Cardozo
Foto: Angelino de Jesus
O presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), desembargador Eserval Rocha, acusou a desembargadora Telma Britto de impedir a votação da proposta que separa as competências das Varas Cíveis e da Vara de Consumo desde 2008. A determinação da separação da competência foi estabelecida no Código de Defesa do Consumidor (CDC). De acordo com Eserval Rocha, o tribunal está descumprindo a lei federal e a imposição de incluir o tema na pauta foi feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O tema foi discutido na primeira reunião da Mesa de Articulação que discute os problemas do Judiciáiro baiano. Logo no início da sessão plenária da manhã desta quarta-feira (11), ao abrir os trabalhos, o presidente anunciou que ia colocar em votação a proposta da resolução. A desembargadora Telma Britto questionou a inclusão do tema na pauta, pois a sessão desta quarta não era administrativa e sim judicante. “Vossa excelência está trazendo à discussão uma matéria sobre a qual este plenário se debruçou durante várias sessões, para, de surpresa, sem convocação administrativa, submeter a vossa ação com o plenário não em tua integralidade. Vossa Excelência atua no crime, não sabe a consequência que a separação das varas de defesa do consumidor e da vara cível trará para os pares”, questiona Britto. Em resposta, Eserval Rocha afirmou que o tema é de interesse de todos os 32 juízes que atuam nas Varas Cíveis, que atualmente, acumulam a competência para julgar feitos de consumo. Para Telma Britto, os magistrados apenas obedeceram à posição do presidente, “na pressuposição de que haveria a transformação”. Segundo Telma, seu questionamento não era para defender seu ponto de vista, mas sim para defender o direito dos desembargadores de fazer uma reflexão sobre a matéria. Ela acusa Eserval de promover um arbítrio ao colocar o tema que estava na psique na sessão. “Desde a sessão passada que isto está no psique dos desembargadores e desde 2008 que se tenta colocar isso aqui”, responde Eserval. Telma Britto, que já presidiu o TJ, afirma que há um projeto de lei na Assembleia Legislativa para separar as competências das varas, mas que o legislativo “não teve coragem de aprovar, porque todos sabem das repercussões”. “Ninguém aqui é inocente, todo mundo sabe”, pontua.

