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Justiça portuguesa concede cidadania a descendentes de judeus expulsos pela Inquisição

Justiça portuguesa concede cidadania a descendentes de judeus expulsos pela Inquisição
Foto: Nir Elias / Reuters
O governo português autorizou que descendetes de judeus expulsos do país durante a Santa Inquisição, há mais de 500 anos, podem solicitar o reconhecimento de cidadania e voltar a Portugal. O Parlamento começou a realizar as mudanças nas leis de cidadania há dois anos, mas, para executar os planos, precisava da aprovação do gabinete.
 
A partir de agora, descendentes de judeus sefarditas – originários de Portugal e da Espanha – que provarem sua ligação com o país, podem pedir o passaporte. De acordo com o governo, as provas podem consistir em língua falada na família, evidência de ascendência direta ou o sobrenome.
 
As autoridades portuguesas reconhecem que os judeus viveram na região muito antes do reino português ser fundado, por volta do século XII. “Não é possível mudar o que já foi feito”, disse uma ministro da Justiça portuguesa Paula Teixeira da Cruz. Paula também afirmou que a mudança na lei é uma “atribuição de um direito”.
 
Durante a inquisição, muitos judeus sefarditas foram mortos, expulsos e forçados a se converter ao cristianismo, no final do século XV. Dentre os que deixaram o país, muito vieram para o nordeste brasileiro, local em que fundaram a primeira sinagoga das Américas, em Recife. Os que foram para o norte europeu continuaram falando português em suas comunidades.
 
A população judaica de Portugal já somou milhares de membros, mas hoje restam apenas mil pessoas – grande parte delas judeus asquenazi, vindas do leste europeu.