TSE não fará teste público de segurança de urnas eletrônicas que serão utilizadas nas eleições
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não realizará nenhum teste de segurança público, com técnicos independentes, com as urnas que serão utilizadas nas eleições em outubro deste ano. o último teste foi realizado em 2012, quando uma equipe de técnicos da Universalidade de Brasília (UNB) simulou uma eleição com 475 votos na urna eletrônica e conseguiu colocá-las na ordem em que foram digitados. O TSE, apesar de reconhecer que os testes de segurança fazem parte do conjunto de ações que garantem a melhoria do projeto, não expõe o sistema ao exame de analistas independentes. O TSE, para atestar que as urnas são seguras e que serão submetidas a teste, publicou uma portaria em fevereiro deste ano para analisar o software das urnas. Mas a equipe convocada é formada por membros dos tribunais regionais eleitorais e do próprio TSE. Apenas uma pessoa é independente. O grupo vai desempenhar quatro trabalhos, ainda sem data para conclusão. Eles terão que mapear os requisitos de segurança das diversas fases do processo eleitoral brasileiro, elaborar um plano nacional de segurança do voto informatizado, propor um modelo de auditoria ágil de votação e totalização dos votos, e propor modelos de teste de segurança. De acordo com o jornal O Globo, especialistas em computação afirmam que a votação eletrônica pode não ser tão segura quanto propagada pelo TSE. O professor de computação Diego Aranha, segundo o jornal, que participou do teste de 2012, diz que o grupo encontrou falhas de segurança, e que estava ansioso para participar do teste neste ano para saber se a falha havia sido corrigida. “No teste, o TSE abriu o código de programação do software da urna e nos deram cinco horas para analisar mais de 10 milhões de linhas de programação. Em menos de uma hora descobrimos a equação usada pelas urnas para embaralhar os votos que ela registra e, para provar isso, simulamos uma eleição com 475 votos e, em seguida, ordenamos os votos que foram registrados nela. Resumindo: achamos um erro banal do sistema”, afirmou Aranha. A assessoria do tribunal não sabe quando os testes públicos voltarão a ser realizados. Para o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Pablo Cerdeira, a “ausência de testes públicos, livres, sem controle sobre o que será testado, per se, já é um dano”. Para o professor, é um direito do cidadão não apenas saber do resultado, mas também como é o processo para chegar até a ele.
