Trabalho forçado gera lucro ilegal de US$ 150 bilhões para empresas por ano, segundo OIT
Foto: Reprodução
Um balanço da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta terça-feira (20) aponta que o trabalho forçado na economia privada gera lucros anuais ilegais de US$150 bilhões (cerca de R$320 bilhões). O valor é três vezes mais do que o estimado anteriormente. Os dados fazem parte do relatório “Profits and Poverty: The Economics of Forced Labour” (Lucros e Pobreza: Aspectos Econômicos do Trabalho Forçado). Dois terços do valor total, cerca de US$ 99 bilhões, estão ligados a exploração sexual comercial, e US$ 51 bilhões são de trabalhos sem fins econômicos, como o doméstico e agricultura. De acordo com o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, o novo relatório mostra o tráfico de pessoas, trabalho forçado e escravidão moderna a um nível superior. “O trabalho forçado é nocivo para as empresas e para o desenvolvimento, mas, sobretudo para suas vítimas. Este relatório imprime um novo caráter de urgência aos nossos esforços para erradicar o quanto antes esta prática altamente rentável, mas fundamentalmente nefasta”, afirma Ryder. A estimativa da OIT é que o número de vítimas do trabalho forçado, do tráfico e da escravidão, atualmente, é de 21 milhões. Mais da metade das vítimas são mulheres e meninas, principalmente na exploração sexual comercial e trabalho doméstico, enquanto os homens e meninos são, sobretudo, vítimas de exploração econômica, na agricultura e mineração. O lucro na construção civil, indústria, mineração e serviços são de US$ 34 bilhões, na agricultura, de US$ 9 bilhões. Nas residências privadas, são de US$ 8 bilhões. A pesquisa ainda identifica as crises de renda e a pobreza como principais fatores que levam o indivíduo ao trabalho forçado. Outros fatores são a falta de educação formal, analfabetismo, gênero e as migrações. OIT afirma que, apesar de ser registrar redução nos números do trabalho forçado, a organização deve dirigir a atenção sobre fatores socioeconômicos que deixam as pessoas vulneráveis. As medidas que devem ser adotadas para reduzir os números de trabalho forçado são a proteção social, investimento em educação, e focar na migração para prevenir o trabalho clandestino, e, além disso, apoiar a organização dos trabalhadores, inclusive nos setores e indústrias vulneráveis ao trabalho forçado.
