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Para OAB, PL que criminaliza violação de prerrogativas é importante para respeitar advogado

Por Cláudia Cardozo

Para OAB, PL que criminaliza violação de prerrogativas é importante para respeitar advogado
João Teixeira Neto, conselheiro de OAB-BA | Foto: Angelino de Jesus / OAB-BA
A violação das prerrogativas dos advogados pode ser tornar crime. É o que prevê o Projeto de Lei 7508/2014, apresentado pelo deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ). A sugestão foi feita pelo novo presidente do Instituto dos Advogados do Brasil (IAB), Técio Lins e Silva. O PL acrescenta o artigo 350-A ao Código Penal o trecho: “[é crime] Violar ato, manifestação, direito ou prerrogativa do advogado, nos termos da lei e no exercício de sua função, impedindo ou prejudicando seu exercício profissional.” A pena para infração é detenção de três meses a um ano e pagamento de multa. A pena ainda pode ser aumentada em um terço, se o fato resultar em prejuízo ao constituinte. A ação só poderá ser aberta mediante representação. “As prerrogativas não são privilégios para os advogados. São garantias constitucionais para que o advogado aja com liberdade, pois todos têm direito a ampla defesa”, afirma João Peixoto Neto, advogado e presidente da Comissão de Prerrogativas da seccional baiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA). Neto afirma que a proposta tem recebido apoio de todas as seccionais da Ordem, inclusive, do próprio Conselho Federal da OAB. “A Ordem tem interesse que esse projeto se transforme em lei. Ele é um marco histórico e importante para corrigir os desequilíbrios que vem acontecendo na advocacia”, avalia. “As autoridades se acham acima do bem e do mal, e infelizmente, é necessário criminalizar as violações contra as prerrogativas para que o advogado seja respeitado”, lamenta o presidente da comissão.


Urbano Junior foi morto em 2012 no exercício de sua profissão em Rio Real (BA)
 
    

João Neto relata que as violações mais comuns das prerrogativas por função dos advogados são o não acesso aos magistrados ao processo, e que, além disso, ainda existem advogados ameaçados e agredidos. O advogado cita dois casos que são fortes e emblemáticos, em sua concepção, sobre a violação das garantias que o advogado tem para exercer a profissão: um é o caso da morte do advogado Urbano Júnior, no município de Rio Real, e outro é a ameaça de morte à advogada Iva Carolina, feita pelo presidente da Câmara de Vereadores do município de Crisópolis. Para Neto, a violação das prerrogativas são um atentado ao direito dos seus representados. “Nós estamos fazendo uma campanha de conscientização das autoridades sobre a importância de respeitar nossas atribuições funcionais sejam respeitadas”, diz. Desde que a comissão foi criada na Bahia, João Neto conta que já houve alguns avanços, como a retirada das cancelas nos cartórios, a retirada do aviso de desacato à autoridade, mas que a situação “ainda está muito distante do que consideramos ideal”. De acordo com Neto, a OAB acompanhará o trâmite do projeto de lei no Congresso Nacional. A Ordem ainda promoverá uma campanha em todo país para esclarecer a sociedade sobre a importância do respeito as prerrogativas dos advogados.