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Japão liberta homem que passou 46 anos no corredor da morte

Japão liberta homem que passou 46 anos no corredor da morte
Iwao Hakamada foi condenado a morte em 1968
O Tribunal de Justiça do distrito de Shizuoka, no centro do Japão libertou nesta quinta-feira (27) um homem que passou 46 anos no corredor da morte. O boxeador Iwao Hakamada, de 78 anos, se tornou o homem que ficou mais tempo no corredor da morte em todo mundo. Ele foi condenado por um múltiplo assassinato em 1966. Ele foi libertado após o tribunal revisar seu caso, e considerar novas provas sobre o caso. As provas indicavam que o condenado era inocente, a partir de exames de DNA. O boxeador foi acusado de apunhalar até a morte o dono de uma pequena fábrica de missô (pasta tradicional da culinária japonesa) onde trabalhava, a mulher dele e seus dois filhos, e depois incendiar a casa da família. O japonês foi condenado à pena de morte em 1968. O tribunal disse ser injusto manter o réu na prisão, ao avaliar que "a possibilidade de sua inocência alcançou um grau considerável". Hakamada não recebia visitas na prisão há quatro anos por causa de sua saúde mental. Na saída, ele não esboçou nenhuma emoção. O boxeador sempre declarou inocência. Diversas organizações de direitos humanos denunciaram que a investigação sofreu vários tipos de irregularidades. O ex-boxeador disse ter sido coagido pela polícia a assinar uma confissão. A sentença de morte foi confirmada em 1980 pela Suprema Corte, quando o réu pediu um novo julgamento. O último recurso foi apresentado por parentes de Hakamada, que revelaram que amostras de sangue recolhidas das roupas do assassino não correspondiam ao do condenado. Diante disso, o tribunal considerou que houve manipulação das provas. Esta é a sexta vez desde 1949 que um tribunal japonês decide reabrir um caso de condenado à morte. Entre os outros cinco acusados, quatro foram absolvidos.