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Baiana participa da Seleção Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas

Baiana participa da Seleção Brasileira de Basquete em Cadeira de Rodas
Foto: Rubia Oliveira | SJCDH

A Seleção Brasileira de Basquete em Cadeiras de Rodas pode ter uma baiana em sua convocação. Marta Miranda, natural de Salvador, de 20 anos, foi pré-convocada para participar dos treinamentos que definirão a equipe que participará da Copa América, que será realizada entre os dias 27 de julho e 4 de agosto, na Guatemala. Marta pratica o paradesporto há dois, com treinos puxados – são três vezes na semana, por quatro horas por dia. “Eu sempre acreditei que poderia ser convocada e que poderia representar o Brasil”, afirma. Na última sexta-feira (17), ela participou de um bate-papo realizado na Faculdade Social da Bahia sobre propostas de incentivo para o segmento esportivo. O evento contou com a participação de representantes governamentais e da Confederação Brasileira de Basquete de Cadeira de Rodas, além das demais atletas pré-convocadas para a Seleção Brasileira.

O Basquete em Cadeira de Rodas é a principal modalidade paradesportista no Brasil atualmente. O esporte é praticado no país há 50 anos. De acordo com a presidente da Confederação Brasileira de Basquete de Cadeira de Rodas, Naíse Pedrosa, já são mais de 80 clubes associados efetivamente, e representa mais de 1,5 mil atletas em todo territorial nacional. Das 80 equipes, 10 são formadas por mulheres. No ranking mundial, a seleção Brasileira de Basquete de Cadeira de Rodas é a 11ª colocada. Já na América ocupa o terceiro lugar, e na América do Sul, é a principal equipe na modalidade esportiva, ficando no topo do ranking. Naíse afirma que o principal desafio para a seleção brasileira é a falta de estrutura. “Ainda falta patrocínio, os equipamentos são caros. Cada cadeira é personalizada para o próprio atleta”.

De acordo com o superintendente Alexandre Baroni, da Superintendência dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Sudef), órgão vinculado a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), o objetivo do treinamento em Salvador é dar continuidade às ações da SJCDH para a área paradesportiva, que iniciaram no ano passado, com o campeonato regional de Basquete de Cadeira de Rodas.  No bate-papo, Baroni afirmou que “a Bahia tem um grande número de atletas, e, trazer para Salvador atletas desse nível de competição é fundamental”. “Elas trazem experiências pessoais e profissionais de atletas que chegaram a esse nível de competição e que pode servir de exemplo para que as pessoas se inspirem nelas”, analisa. A diretora de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Veruska Ferraz, afirmou que o governo da Bahia, através da SJCDH e da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), garantiu a doação das cadeiras de rodas para a prática esportiva destinada a Seleção Brasileira de Basquete de Cadeira de Rodas, como tem apoiado a prática desde a aquisição de materiais até incentivos para a realização de campeonatos regionais na Bahia.

O coordenador-geral da Seleção Brasileira de Basquete de Cadeira de Rodas, Martoni Sampaio, disse que o treinamento em Salvador não é importante somente para as atletas, e sim, para a sociedade. Ele frisa que a etapa de treinos na capital baiana visa desenvolver, estimular e difundir o paradesporto na cidade. Segundo ele, a baixa participação das mulheres em atividades esportivas se acentua nas modalidades paradesportivas. “É importante que as mulheres com deficiência participem de atividades esportivas, porque o esporte provoca uma mudança social. Ele resgata a auto-estima e sua representatividade na sociedade, e ainda ajuda a combater a violência contra a mulher, pois a mulher com deficiência é muito mais violentada, tanto física, como moralmente”, avalia Martoni. No evento, a diretora Rita Margareth Passos, da FSBA, garantiu viabilizar algumas bolsas de estudos de nível superior para alguns atletas do paradesporto baiano.