Presidente da AMB tacha: denúncia contra TJ-BA é 'erro de cálculo' e CNJ quer 'mostrar a que veio'
Por Niassa Jamena
Fotos: Niassa Jamena / Bahia Notícias
O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra, classificou o suposto excedente de R$ 448 milhões do Tribunal da Justiça da Bahia (TJ-BA) em precatórios, apontado por relatório preliminar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de "erro de cálculo". Em entrevista coletiva realizada na manhã desta terça-feira (23), em Salvador, o juiz prestou "solidariedade à magistratura baiana" após a divulgação das denúncias do conselho. “O Brasil está passando por uma fase caracterizada pela publicidade das ações do CNJ. O CNJ é um órgão novo que busca afirmar sua identidade e mostrar a que veio. Mas há situações que não devem ser divulgadas, sob o risco de pessoas perderem suas vidas ou aquilo que todos temos como patrimônio maior: o nome e a identidade. Nós não podemos sair divulgando um relatório preliminar sem apurar do que se trata”, reclamou. Segundo ele, a denúncia de excedente em precatórios - dívidas do poder público reconhecidas pela Justiça - resultou de falhas dos três poderes. “O pagamento de precatórios é um território pantanoso porque os cálculos são complexos. Como é que houve um excedente de meio bilhão se a Bahia toda só pagou R$ 14 milhões? Nós juízes temos que ter atenção redobrada com os cálculos. O problema é que normalmente advogados, juízes e promotores não têm muita proximidade com a matemática”, criticou. “Uma grande vergonha para o Brasil é que o Executivo e o Legislativo sempre prolongam suas dívidas. É uma vergonha você levar dez ou 12 anos para pagar valores que são reconhecidamente devidos”, completou.
"O problema é que normalmente advogados, juízes e promotores não têm muita proximidade com a matemática”
"Eu fiquei estarrecido quando o CNJ disse que ia fazer uma inspeção na Bahia"
O presidente da entidade justificou sua vinda à capital baiana com o argumento de que queria mostrar aos colegas que eles não estão desamparados. “Eu fiquei estarrecido quando o CNJ disse que ia fazer uma inspeção na Bahia, que a Bahia era o alvo, porque não achei que nada disso era adequado. Se há uma falha entre os magistrados da Bahia, ela é muitas vezes resultante de falta de condições materiais de trabalho. O fato de nós [a AMB] nos pronunciamos publicamente não é pela rivalidade [com o CNJ] e sim para acabar com esse clima de que a Bahia é o pior lugar do Brasil”, concluiu.
