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Fleury será testemunha de defesa no julgamento do Massacre do Carandiru

Fleury será testemunha de defesa no julgamento do Massacre do Carandiru
Ex-governador de São Paulo presta depoimento nesta terça

O segundo dia do julgamento dos 79 policiais envolvidos no Massacre do Carandiru será marcado pelos depoimentos do ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho e do ex-secretário de segurança pública de São Paulo Pedro Franco de Campos. Eles chegaram ao Fórum Criminal da Barra Fundo, na zona oeste de São Paulo, por volta das 8h40m desta terça-feira (16). O ex-governante e ex-secretário prestarão depoimento na condição de testemunhas da defesa de 26 policias que serão julgados nesta primeira fase do Tribunal do Júri. Os policiais são acusados de matar 15 dos 111 detentos mortos no massacre. Ainda estão previsto a oitiva de desembargadores e ex-funcionários do complexo penitenciário do Carandiru.

No primeiro dia do julgamento, realizado nesta segunda (15), cinco testemunhas de acusação prestaram depoimentos. O júri é formado por seis homens e uma mulher. Dois PMs acusados não compareceram ao julgamento por responder ao processo em liberdade. Os três sobreviventes que ouvidos afirmaram que os internos não reagiram com armas de fogos à entrada dos policiais e que o não houve uma rebelião no pavilhão 9 que justificasse a ação violenta da PM. O agente penitenciário Moacir dos Santos afirmou que os PMs desrespeitaram uma comissão formada pra mediar o conflito de duas quadrilhas dentro do pavilhão e que “gritavam como índios, ou como se marcassem um gol”. Segundo ele, os penitenciários rendidos foram metralhados. O perito criminal aposentado Osvaldo Negrini Neto, em seu depoimento, disse que a polícia não queria que uma perícia fosse feita no local. De acordo com Neto, a remoção dos cadáveres e o sumiço de cápsulas deflagradas durante o massacre são indícios de que o cenário foi adulterado. "A única coisa que não conseguiram violar foram as marcas das paredes. A história estava escrita nas paredes", pontou.