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Legislativo de Utah aprova doação de órgãos por presidiários

Legislativo de Utah aprova doação de órgãos por presidiários

A doação de órgãos por prisioneiros que morrem na prisão, incluindo os condenados à morte foi aprovada pelo Legislativo de Utah, nos Estados Unidos. Até então, nenhum dos estados americanos permitia a doações de órgãos dos condenados à morte. Alguns estados permitiam a doação em casos restritos e em circunstâncias controladas. A lei foi bem recebida por muitos presidiários, e desde a divulgação da notícia, 247 já preencheram o formulário para doação. O formulário será distribuído a todos os 6,9 mil prisioneiros de Utah.

O prisioneiro Christian Longo, condenado à morte, escreveu um artigo em 2011, publicado no New York Times, em que defende o direito à doação de órgãos. No texto, ele diz que, com o remorso por ter assassinato a esposa e os três filhos, sentiu a necessidade “de fazer alguma coisa para compensar”, e iniciou uma campanha para que outros prisioneiros na mesma situação possam “dar vida após a morte”. Esse direito ajudaria os prisioneiros a viver melhor o resto de suas vidas. No EUA, existem quase 118 mil pessoas na lista de espera pela doação de coração, rins, fígados e outros órgãos. Existem mais de três mil prisioneiros no corredor da morte. Cada um dos condenados pode ajudar a salvar até oito vidas com a doação dos órgãos e ajudar no tratamento de 50 pessoas com a doação de tecidos.

Os demais estados americanos são opositores à medida por razões médicas e éticas. Um dos argumentos é que os prisioneiros estão sujeitos a contrair muitas doenças sexualmente transmissíveis, e outro ponto é que a execução da pena de morte com três injeções danifica os órgãos do prisioneiro. O dano aos órgãos poderia ser evitado, de acordo com Longo, se os estados adotassem o sistema de Ohio e Washington, se fosse utilizado apenas uma dose mais forte de uma droga, de ação rápida, que não destroem os órgãos. Do ponto de vista ético, o problema seria os prisioneiros se tornarem a solução para os problemas de milhares de pessoas que necessitam de um transplante, e que poderia usar a norma com um “fim que justifica os meios”. Outro problema apontado para o sucesso da medida é a burocracia dentro dos presídios que impede a recuperação rápida dos órgãos de um prisioneiro.