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Trabalhadores em condições de escravidão são resgatados em Salvador

Trabalhadores em condições de escravidão são resgatados em Salvador
Trabalhadores estavam em casas no Doron
Dezessete trabalhadores em condições de trabalho degradantes análogas à escravidão foram resgatados, nesta sexta-feira (15), em Salvador. O grupo prestava serviço para a empresa carioca GAF Logística, distribuindo listas telefônicas da Telelistas.net. Todos eles eram do Rio de Janeiro. A ação foi realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em conjunto com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e da Polícia Federal (PF). Os trabalhadores estavam alojados em duas casas no bairro do Doron, que ao todo abrigavam 30 pessoas. Segundo os relatos dos prestadores de serviço, eles vieram para Salvador de avião no fim de fevereiro e distribuíam as listas sem remuneração definida. Alguns disseram que receberiam R$ 200 outros R$ 40, mas sempre depois do retorno ao Rio. Dois aliciadores José Arildo Rodrigues e Edson Muniz da Silva, conhecido como Pedro, foram pegos em flagrante pela PF e levados para prestar depoimento. Segundo eles, há mais dois aliciadores na cidade, cada um comandando mais um grupo semelhante ao que foi resgatado. Nesta segunda-feira (18), a SRTE deverá calcular as indenizações a que os trabalhadores têm direito. Enquanto não são encaminhados para o Rio eles ficarão hospedados em um hotel custeado pela Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos do Governo do Estado. No entanto, esses custos serão posteriormente cobrados da empresa. O MPT já se movimenta para propor um termo de ajuste de conduta para a empresa, mas não descarta a possibilidade de ajuizar uma ação na Justiça do Trabalho. O vice-presidente da coordenação estadual do MPT que trata do assunto, o procurador Jairo Sento-Sé, declarou que este é o primeiro caso de trabalho análogo ao de escravo registrado em Salvador. “Temos que agir com todo o rigor para que esse problema que ainda identificamos em plantações remotas não venha agora também se alastrar nas zonas urbanas”, ressaltou. Uma das trabalhadoras resgatadas, Darcilínia Gomes da Silva, 58 anos, conta que faz esse tipo de atividade há cinco anos. “Uma pessoa da minha idade não acha emprego fácil. Então prefiro vir para outras cidade para esse trabalho e ganhar o que dá”, relatou para os auditores e procuradores. Ela revelou que recebia gorjetas de pessoas para as quais entregava as listas telefônicas e era com esse dinheiro que fazia lanches e pagava o transporte. “Depois quando voltar para o Rio o pessoal me dá uns R$40 ou R$50. Melhor do que nada”, declarou.