Roberto Gurgel diz que bancos atrasam investigações
Depois do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, ter acusado os bancos de leniência com relação ao crime de lavagem de dinheiro, nesta terça-feira (12), foi a vez de o procurador-geral da República, Roberto Gurgel criticar as instituições financeiras. Gurgel acusou os bancos de atrasarem as investigações interpondo obstáculos ao acesso as informações, que para ele, deveriam ser liberadas de forma imediata. "Acho que todo o sistema bancário precisa de ajuste", sugeriu o procurador, em entrevista após participar de um seminário sobre lavagem de dinheiro, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No entendimento do procurador, a Lei de Lavagem de Dinheiro, atualizada em 2012, é eficaz. O problema seria a não colaboração por parte dos bancos. "A legislação que nós temos, em geral, é boa. O que é preciso é que ela seja aplicada de forma rigorosa e frequente. Esse é o esforço que o Ministério Público vem realizando, no sentido de levar ao Judiciário o maior numero de casos com base na Lei de Lavagem, que é o instrumento fundamental para combater os crimes do colarinho branco", frisou o procurador. Ainda de acordo com Gurgel, o principal motivo dos atrasos nas investigações é a ineficácia dos sistemas em funcionamento. "Acho que todo sistema bancário precisa de ajuste. Na própria Ação Penal 470 (o processo do mensalão) tivemos diversos fatos envolvendo bancos, em que a conduta daqueles bancos era algo inaceitável e os transformava em parceiros do crime", concluiu.
