Joaquim Barbosa aponta crime de corrupção de Valdemar Costa Neto e mais dois
Relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa disse, nesta quarta-feira (19), que considera "materializado o crime de corrupção passiva" do deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), do ex-deputado Bispo Rodrigues e do ex-tesoureiro Jacinto Lamas, ambos do extinto PL e atual PR. Ele voltou à leitura de seu voto sobre as denúncias contra o núcleo político do mensalão. Sobre a acusação contra Valdemar, que na época do escândalo era presidente do então PL, Barbosa disse que "ao contrário do que alega a defesa, houve sim demonstração de pagamento de valores em seu benefício durante o período de dois anos e houve concentração de pagamentos no período de reformas importantes”. O relator apontou ainda que o dirigente do PL recebeu milionários repasses e contou com a "colaboração criminosa de Jacinto Lamas" que recebia os recursos de esquema de compra de apoio político nos primeiros anos do governo Lula (2003-2010). Barbosa voltou a rebater a tese de réus do processo de que houve prática de caixa dois eleitoral e não compra de votos.Barbosa disse ainda que o fato de o PL ter entre seus quadros o ex-vice-presidente José Alencar não garantiu apoio ao governo Lula. Ele disse que Valdemar Costa Neto assumiu em seu depoimento que a bancada do partido da Câmara resistia a compor o rol de aliados do governo petista. Para o ministro, a fidelidade dos deputados do PL ao governo não era concreta e, portanto foram distribuídos vultosos valores para os congressistas. De acordo com a denúncia, o PL recebeu R$ 11 milhões do esquema. O relator também acolheu denúncia de corrupção passiva contra o ex-deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ). "Percebe-se que o réu recebeu dinheiro do PT porque era um dos representantes máximos do PL, que no exercício do mandato orientou e liderou o voto da bancada no sentido que queriam os corruptores, além da influência que exercia sobre outros partidos”. Rodrigues teria recebido R$ 400 mil do esquema. Informações Folha de São Paulo.
