Kakay finaliza sua defesa com poema de Álvaro de Campos
Antonio de Almeida Castro, o Kakay
O último advogado a falar, na sessão de julgamento do mensalão desta quarta-feira (15), foi Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, em defesa de Zilmar Fernandes. Ele começou a sua sustentação oral ao afirmar que ficou perplexo com as argumentações do procurador-geral Roberto Gurgel. Ele contestou a pressão que Gurgel diz ter sofrido até o dia em que fez a acusação. "Doutor Gurgel, entenda a responsabilidade que os advogados têm de defender a honra e a dignidade de um cidadão". Além disso, ele afirmou que "não existiu o mensalão" e que "isso está provado nos autos". "O que existiu é a tese de defesa do delator, homem sem credibilidade. A palavra dele não vale nada", disse. Conforme Kakay, o Ministério Público Federal (MPF) tem o dever de acusar de forma precisa e acrescenta que o cidadão tem o dever de ser bem acusado. Ele questionou as acusações e rebateu a tese de que Zilmar e Duda fizessem parte de acordos políticos. Ele resumiu a participação de seus clientes como meros prestadores de serviço. “Gente que trabalhava, recebia e pagava. Qual a possibilidade, excelências, de o cidadão comum suspeitar que há transação ilícita em receber pagamentos por trabalho feito?”, disse. Kakay questionou como transações feitas dentro do "forte sistema bancário brasileiro" poderiam ser ilícitas, já que os pagamentos feitos por Duda e Zilmar, eram feitos dentro do sistema bancário e não em sua lateral. Segundo ele, apesar de ser R$ 300 mil ser muito dinheiro, "nós temos que ter uma escala diferenciada para publicidade. É menos de 1% do valor do contrato", afirmou Kakay. Além disso, ele criticou o MPF, "Há uma falta de técnica que assusta, há uma vontade de acusar, que preocupa". Kakay rebateu a acusação do Ministério Público de que o publicitário Duda Mendonça teria aberto uma conta em um paraíso fiscal para lavar dinheiro. Segundo o advogado, a conta corrente aberta pelo marqueteiro teria sido aberta nos EUA. “Classificar os Estados Unidos de paraíso fiscal é um excesso”, afirmou. Kakay finalizou sua defesa citando o poema "O que há", de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.
