‘É duro falar isso, mas me parece que é uma prática recorrente o uso do caixa 2’, diz advogado de ex-deputado do PT
Paulo Rocha, ex-deputado federal do PT
O julgamento do mensalão, nesta terça-feira (14), começou com o advogado João dos Santos Gomes Filho, que representa o ex-deputado federal Paulo Rocha, do PT. Segundo a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-deputado do PT Paulo Rocha teria recebido R$ 920 mil do publicitário Marcos Valério, apontado como financiador do mensalão. Ele foi denunciado pelo crime de lavagem de dinheiro. Gomes Filho disse que a denúncia não apontou nenhuma prova de relação entre seu cliente e o núcleo político, operacional e financeiro do mensalão. "Nenhum dos três núcleos recepciona a pessoa de Paulo Rocha. Ele não participa de nenhum dos três núcleos". O advogado do ex-deputado, assim como defesas de outros réus do mensalão, disseram que o dinheiro movimentado foi destinado para o pagamento de dívidas de campanhas municipais. “Essa campanha, como toda política que se faz no Brasil, deixou dívida”, afirmou. “É duro falar isso, mas me parece que é uma prática recorrente o uso do caixa 2. É uma realidade e nós tangenciamos essa realidade”, admitiu o advogado. Gomes Filho afirmou que Paulo Rocha, como presidente do diretório petista no Pará, não tinha outra alternativa a não ser pagar a conta das dívidas de campanha do partido. “Qual é a conduta do Paulo? Ele pagou conta. Mas participou da cadeia? Não.” “Na cadeia causal, ele é um irrelevante. Se o dinheiro foi lavado, ele já chegou limpo ao diretório do PT. O dinheiro não foi para o Paulo ou para o diretório. Foi para as contas”, afirmou. Por fim, o advogado do ex-deputado afirmou que “li uma entrevista em que a corregedora-geral de Justiça, Eliana Calmon, teria dito que o STF seria julgado. Deplorável o país em que a Corte Suprema está em julgamento. Os senhores jamais serão julgados. Os senhores estão aqui para julgar. Qualquer leitura diversa é uma leitura descompromissada com o ideário desse tribunal”, disse.
