Autoridades de Jersey usam caso Maluf para mostrar que não são conivente com corrupção
O pedido de repatriação do dinheiro desviado da Prefeitura de São Paulo, feito pelo Município de São Paulo à Justiça da Ilha Jersey entra, nesta quarta-feira (18), no último dia de julgamento. O juiz Howard Page, responsável pelo caso, ouvirá os advogados ingleses contratados pela Prefeitura para recuperar os US$ 22 milhões supostamente desviados por Paulo Maluf, quando esteve à frente da gestão municipal de São Paulo (1993-1996). A previsão é que a sentença saia nos próximos dias e caberá recurso. A imprensa local tem chamado o caso de “o maior processo civil da história do sistema legal de Jersey”. As autoridades locais têm utilizado o processo como exemplo de que a ilha não é conivente com a corrupção, diante das declarações do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, contra os paraísos fiscais. Ao iniciar o julgamento do caso nesta terça-feira (17), a defesa da Durant, empresa suspeita de ter ligação com a família de Maluf, tentou desqualificar as testemunhas de acusação indicadas pelo promotor brasileiro Silvio Marques, responsável pelo inquérito no Brasil, ao questionar a veracidade dos testemunhos e até a existência das testemunhas de acusação, que foram enviados por escrito e outros feitos através de videoconferência. O promotor, que não esteve presente no julgamento, teve que enviar um e-mail para confirmar a veracidade das testemunhas. A defesa da Durant afirmou que a Prefeitura não tem provas de que as transações no exterior sejam decorrentes de corrupção. Anteriormente, eles utilizam a tática de negar a existência das contas. Nos autos do processo constam também o depoimento de Simeão Damasceno de Oliveira, ex-coordenador administrativo-financeiro da Mendes Júnior, que afirma que 10% dos valores de algumas notas fiscais era suficiente para pagar a obra da construção da atual Avenida Jornalista Roberto Marinho. As notas fiscais da obra foram emitidas em valores dez vezes superiores ao custo real do serviço. Os valores restantes seriam divido em propina, sendo repartido com Maluf. A devolução era feita aos envolvidos no esquema ou a doleiros, que mandavam o dinheiro ao exterior. Informações do Estadão.
