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Estudantes pedem criação de comissão da verdade para investigar crimes dentro da USP durante a ditadura

Estudantes pedem criação de comissão da verdade para investigar crimes dentro da USP durante a ditadura

Um grupo de manifestantes, composto por cerca de 200 pessoas, pediu, nesta quinta-feira (24), a criação de uma Comissão da Verdade da Universidade de São Paulo (USP). Os manifestantes querem que uma comissão seja criada, nos moldes da comissão federal, para apurar relatos sobre professores, alunos e funcionários que foram perseguidos ou colaboraram com a ditadura militar, entre os anos de 1964-1985. O ato foi encabeçado pelo Fórum de Esquerda, formado por estudantes de Direito da universidade. A manifestação contou com o apoio de professores e do grupo Levante Popular – que promoveu os chamados “esculachos” em frente a casas de acusados de tortura.

Os estudantes pedem que a comissão seja composta por membros eleitos pela comunidade acadêmica e que possa receber testemunhos, convocar pessoas e requisitar documentos da universidade. A proposta é que o relatório produzido seja encaminhado para a Comissão da Verdade e para o Ministério Público. A reitoria da USP afirma que apoia "toda movimentação" em busca da verdade. O manifesto também pretende mudar o Regimento Disciplinar da USP, editado em 1972. A professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, defende que o modelo de comissão seja adotado por outras instituições. No caso da USP, a professora afirma que a comissão servirá para descobrir as pessoas da USP que “publicam livros sobre direitos humanos, mas que colaboraram com o regime militar". Um dos investigados seria o professor Luís da Gama e Silva (1913-1979), considerado como um dos redatores do Ato Institucional 5, que autorizava o fechando do Congresso. As informações são da Folha de S. Paulo.