Caso Neylton: A posição dos advogados e do promotor do julgamento
Por Clara Luz
Na tarde desta quinta-feira (19), prosseguiu o julgamento do caso Neylton. O promotor do julgamento, David Gallo, e os advogados de defesa dos réus, Paulo Vilaboim e Vivaldo Amaral deram seus depoimentos ao Bahia Notícias. O argumento de defesa do advogado Vivaldo Amaralse baseia no fato de a confissão de Jair Barbosa da Conceição ter sido feita com ele algemado, com vários policiais armados e sem a presença do advogado e do representante do Ministério Público. “Estamos confiantes que a verdade dita por Jair desde o inicio está se confirmando desde os primeiros depoimentos. Eu também, se estivesse naquela sala, confessaria qualquer coisa. Observem que nos depoimentos delas [Aglaé Amaral Sousa e Tânia Maria Pimentel Pedroso] um advogado está presente, mas os pobres da periferia não tiveram esse direito e é isso que a defesa se insurge e irá fazer um grande júri”. Ele concluiu sua fala, ao afirmar que acredita na inocência dos réus. “A inocência deles já está nos autos. Eu sou advogado desde o primeiro dia que eles foram presos, e desafio: se me mostrarem uma confissão de Jair, eu abandono o caso. Continuo até o final, porque acredito nele e a Justiça vai se fazer”.
Seguindo a mesma linha de raciocínio de seu colega, Vivaldo Amaral, o advogado Paulo Vilaboim reafirmou também a sua convicção em relação à inocência de Josemar dos Santos. “Eu jamais defenderia o direito de matar, se efetivamente eu tivesse convicto que Josemar participou dessa empreitada criminosa. Eu não viria para aqui negar a autoria”. Ele demonstrou tranquilidade quanto à absolvição dos réus, e declarou que o Ministério Público deverá produzir provas. “... porque sequer investigou o crime juntamente com a polícia, sequer provou a autoria com argumento e sequer encontrou testemunhas de que Josemar dos Santos e Jair Barbosa da Conceição são autores de fato do crime".
Para o promotor de julgamento do caso, David Gallo, a presença da ex-subsecretária Aglaé Amaral Sousa e da consultora Tânia Maria Pimentel Pedroso, não é imprescindível. “As duas aparecem neste processo inicialmente como coautoras intelectuais. O processo correu tranquilamente e no final o judiciário entendeu que não havia indício suficiente para culpá-las, portanto se impronunciou. Se elas viessem para cá de nada valeria o depoimento delas, simplesmente elas negariam e não acrescentariam nada de novo.” Além disso, o promotor afirmou que o crime foi de mando e que Neylton teria morrido porque sabia demais. “Aqueles dois homens estavam ali para naquele dia além de trabalhar, matar Neilton, a grande vítima desse processo”.
