Ex-presidente da Libéria é condenado por crimes de guerra e contra a humanidade
Charles Taylor foi condenado por colaborar com a Frente Unida Revolucionária
O ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, foi condenado nesta quinta-feira (26) pelo Tribunal Especial para Serra Leoa. Ele foi condenado por crimes de guerra e contra Humanidade. Taylor é o primeiro ex-chefe de Estado punido pela Justiça Internacional. Grupos defensores dos direitos humanos consideraram o julgamento um fato histórico. A pena só será divulgada pelo Tribunal no dia 16 de maio. Taylor, que tem 64 anos, disse que quer cumprir a pena no Reino Unido. O ex-presidente era acusado de 11 crimes, como assassinato, estupros, recrutamento de crianças-soldados e mutilações. Entre 1991 e 2002, mais de 50 mil pessoas morreram e milhares foram mutiladas por rebeldes da Frente Unida Revolucionária (FUR) com o apoio do ex-presidente da Libéria.
Ele foi considerado culpado por fornecer armas, alimentos, suprimentos médicos e combustíveis para a FUR, mas não de ordenar ou planejar os crimes. A promotoria afirmou que o objetivo de Taylor era controlar as minas de pedras preciosas e recursos naturais do país vizinho, e aumentar o seu poder na África Ocidental. Com a ação truculenta, ao menos 2 milhões de pessoas se refugiaram na Serra Leoa. Na Libéria, os conflitos levaram a morte ao menos 100 mil pessoas. Como Taylor nunca foi a Serra Leoa, a acusação precisou provar que a presença física do ex-chefe de Estado não foi necessária no conflito. A modelo Naomi Campbell prestou depoimento no julgamento. Ela comprovou a ligação de Taylor com o tráfico de diamantes por ter recebido uma jóia do ex-presidente. Ela considerou a joia “suja e sem brilho” e doou para uma instituição de caridade. A decisão foi comemorada pela população de Serra Leoa.
