Restos mortais de hispano-venezuelano morto na ditadura é entregue a família
A ossada do hispano-venezuelano Miguel Sabat Nuet, encontrada em escavações no cemitério de Perus, zona norte paulista, foi entregue aos familiares em solenidade nesta segunda-feira (12). Os três filhos da vítima, que foi morto sob tortura, em 1973, pelo sistema de repressão da ditadura militar vieram da Venezuela para participar do evento. A ossada foi cremada a pedido da família e entregue em uma urna.
Em nome do Estado brasileiro, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, declarou que “a devolução dos seus restos mortais à família significa resgatar diante da família o seu lugar de pai”. Para ministra, é uma obrigação do Estado esclarecer a verdade sobre os desaparecimentos ocorridos no período ditatorial. O caso, para a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga, que participou das buscas, expõe a ditadura por mostrar que o regime também matou pessoas inocentes. Não há registros que comprovem a participação de Nuet na oposição à ditadura.
Para os filhos de Nuet, a perseguição e morte do pai sejam em decorrência da ligação dele com a Teologia da Libertação, corrente de pensamento da Igreja Católica. Na época, o governo brasileiro informou a família que Nuet havia se suicidado na prisão. Versão que foi contestada pelos filhos, baseado nos princípios religiosos que o pai seguia. As cinzas de Nuet serão jogadas nas montanhas próximas a Barcelona, na Espanha, lugar que Nuet frequentava quando criança.